'Futuro' SUV deve ser 1º carro brasileiro que Nissan exportará

06/11/2014 09:08

Ainda em fase de estudo, Kicks é exibido no Salão de SP.
Consumidores do Brasil e de outros países latinos são consultados.

Peter Fussy | G1, em São Paulo

Quando teve sua estreia mundial, na semana passada, no primeiro dia do Salão do Automóvel de São Paulo 2014, o Kicks Concept conseguiu ofuscar o "monstro" GT-R no estande da Nissan. Não é para menos. Enquanto o superesportivo segue distante do mercado nacional, o SUV compacto foi desenhado para atender às expectativas (e ao bolso) do brasileiro.

Nissan Kicks (Foto: Divulgação)Nissan Kicks (Foto: Divulgação)

Perto de suas formas finais, o Kicks ainda não tem sua produção oficialmente confirmada, mas, se depender dos executivos da Nissan, é uma questão de tempo. A expectativa do mercado é de que o futuro rival de Ford EcoSport e Renault Duster chegue antes das Olimpíadas de 2016, que a montadora patrocina, no Rio de Janeiro.

Mais do que um "futuro" brasileiro, o Kicks deverá ser o primeiro Nissan montado na fábrica Resende (RJ) que ganhará outros mercados na América Latina. De acordo com José Luis Valls, chairman da montadora para a região, a produção do novo modelo é avaliada junto à possibilidade de exportação aos vizinhos.

"Para investir em um produto como este, não vemos somente o mercado local, mas também exportação. Não é coincidência que ele tenha características muito alinhadas com as expectativas, custo e preferência dos latinos, e com lançamento mundial do conceito no Salão de São Paulo. Sabemos que há um mercado potencial. Não vamos confirmar o que não está confirmado, mas é possível ver que já é um produto bem realista”, disse, em entrevista ao G1.

Segundo o executivo, consumidores do Brasil e de outros países da América Latina já foram consultados em clínicas desde o primeiro conceito, apresentado no Salão de 2012, com o nome Extrem. “Agora é um conceito mais maduro. Há muita resposta positiva dessas clínicas. Estamos levando muito em conta o cliente brasileiro e latino”, afirmou Valls.

Fábrica

Inaugurado no começo deste ano, o complexo industrial da Nissan em Resende produz o New March, o hatch reestilizado, e, em breve, incluirá o Versa. A versão atualizada do sedã, que também estreou no Salão de SP, já é nacional, mas a linha ainda está em fase de treinamento.

A montagem terá mais força quando os funcionários afastados temporariamente – por causa da queda no mercado - voltarem ao trabalho neste mês. Por enquanto, a produção dos 2 modelos tem foco prioritário para o Brasil, ainda sem previsão para exportação, segundo a Nissan.

Com o lançamento oficial do New Versa, no começo de 2015, a produção local deve atingir 76 mil unidades no próximo ano, ante 40 mil em 2014, o que deixa uma capacidade ainda inexplorada de 124 mil. Parte dela poderá ser do Kicks, que foi projetado sobre a mesma plataforma (V) do Versa e do March.

Meta

Além de ter seus “familiares” já feitos no Brasil, o futuro SUV compacto cobriria um segmento em que a fabricante ainda não atua por aqui – um passo importante para atingir a meta de 6% de participação no mercado até 2018. Assim como a “irmã” Renault, a Nissan busca seu objetivo com poucos modelos de grande apelo para o consumidor, por isto estuda cuidadosamente cada lançamento.

“(O Kicks) É um conceito muito próximo do produto final e está no segmento que mais vai crescer. Minha missão como presidente vai ser produzí-lo em Resende”, afirmou François Dossa, durante estreia do conceito. "A gente não veio para fazer só o March e o Versa (hatch e sedã). Este carro está dentro da estatégia da marca para o Brasil.'

Rivalidade

Caso mantenha as proporções do conceito, o Kicks será pouco menor que o “primo” Duster e maior que o EcoSport. Desenhado em parceria entre os centros de design da marca no Brasil e nos Estados Unidos, com coordenação da matriz no Japão, o modelo mostrado no Anhembi tem 4,3 metros de comprimento, 2,62 metros de entre-eixos, 1,8 metro de largura e 1,6 metro de altura.

Se for confirmado mesmo para 2016, o Duster que se cuide. De acordo com Dossa, a competição será dura. “Quando se trata de marketing e vendas não tem ‘primo’. A sinergia (cooperação entre as montadoras do mesmo grupo) se dá no ‘back office’, principalmente nas compras de fornecedores”, completou.

No entanto, os anos de vida dão uma vantagem Duster, que já está consolidado. Além disso, o utilitário esportivo da Nissan pode perder a “crista” da onda de SUVs. Apenas no Salão de SP, o conceito já disputa a atenção dos visitantes com as versões finais de Jeep Renegade, Honda HR-V e Peugeot 2008, que serão nacionais já em 2015.

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