Dona de cachorra sensível a fogos cria campanha na internet contra rojões

17/06/2014 09:59

Estouros podem agravar quadros cardíacos em cães, diz veterinária. 
Foto de cachorra com cartaz 'antifogos' foi vista mais de 100 mil vezes.

Mariana Lenharo | G1

São Paulo - Desde que foi adotada, a cachorra Firpa - hoje com quase 3 anos - já demonstrava muito medo de fogos de artifício. Quando ouve rojões, ela fica com arritmia cardíaca, passa mal e sai correndo sem rumo. Em plena Copa do Mundo, e com a perspectiva de comemorações barulhentas depois de cada gol, sua dona resolveu promover uma campanha no Facebook contra os fogos de artifício.

Cachorra Firpa posa com cartaz; sua dona, Brunna Polasse Brito começou campanha contra fogos de artifício no Facebook (Foto: Brunna Polasse Brito/Vc no G1)Cachorra Firpa posa com cartaz; sua dona, Brunna Polasse Brito começou campanha contra fogos de artifício no Facebook (Foto: Brunna Polasse Brito/Vc no G1)

Inspirada no nome do movimento “#naovaitercopa”, a estudante de biologia Brunna Polasse Brito, de 22 anos, começou a campanha “#naovaiterfogos”. Postou uma foto da cachorra vestindo um cartaz com o slogan da campanha e convidou outros donos de animais de estimação a fazer o mesmo. A foto de Firpa já foi compartilhada mais de 2,3 mil vezes. Ao todo, foram mais de 100 mil visualizações.

“Como já tinha uma página no Facebook em que eu posto fotos da Firpa, pensei em fazer essa campanha para sensibilizar o maior número de pessoas para não soltar fogos”, conta a estudante, que mora em Jaboticabal, interior de São Paulo. “Quando tem jogo, tomamos bastante cuidado com ela. Mas os animais de rua não têm ninguém para cuidar deles, podem acabar se machucando”, diz.

Em dias de jogos, Brunna deixa todas as janelas e portas fechadas para diminuir o barulho. Ela também liga a televisão em um volume alto, para abafar o som dos fogos.

Riscos

De acordo com a veterinária Carla Berl, diretora do Hospital Veterinário PetCare, o medo dos fogos de artifício realmente é um problema sério para alguns cães. Ela explica que eles sofrem com o barulho por ter uma audição muito mais sensível do que a dos humanos. A descarga de adrenalina provocada pelo barulho pode levar a uma série de eventos. “Se o cachorro já tem taquicardia, ela pode piorar. Animais epilépticos, que controlam as convulsões com medicamentos, podem se descontrolar e voltar a convulsionar. Eles também podem ter diarreia.”

Segundo ela, seu hospital já atendeu dois casos de animais com convulsões desencadeadas pelos fogos desde quinta-feira, quando começou a Copa do Mundo. Quem tem mais de um animal em casa também pode enfrentar casos de brigas entre os bichos. “Os casos mais dramáticos que atendemos em eventos como este são as mortes por briga. Por causa da excitação do barulho, tudo muda: um começa a latir muito, o outro não sabe o que está acontecendo e pode atacar”, diz a veterinária.

Quando os donos percebem que o cão fica nervoso com os fogos, alguns cuidados devem ser tomados. O ideal é que os donos fiquem junto com os bichos na hora do barulho, para tranquiliza-los. Fechar portas e janelas e ligar uma música ambiente, para abafar o som dos fogos, também pode ajudar. Os portões devem estar bem fechados, pois é comum que o animal tente fugir na hora dos estrondos.

Em casos extremos, o ideal é levar o cachorro ao veterinário para avaliar a possibilidade do uso de calmantes. “Para isso, o veterinário tem que avaliar qual é a dose certa e se vai dar o remédio só na hora do jogo ou se vai entrar em um processo de controle durante o mês inteiro, por exemplo.”

Outros problemas

Carla lembra que os fogos não são os únicos incômodos enfrentados pelos bichos nessa época. Os gritos de comemoração (ou de decepção) já são suficientes para deixar os cães nervosos e agitados.

A veterinária lembra que é muito comum as pessoas deixarem ao alcance dos bichos os petiscos preparados para serem comidos durante os jogos. “Tem muitos casos de intoxicação alimentar nessa época porque o cachorro não está acostumado com aquele tipo de comida. Atendemos um caso, por exemplo, de pancreatite por ingestão de salame”, conta.

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