Estudante de engenharia da UFMG integra projeto de satélite da Nasa

12/03/2015 12:01

Mateus Oliveira, de 22 anos, cursa engenharia aeroespacial na UFMG.
Estudante foi aprovado pelo Ciências sem Fronteiras, em junho de 2014.

Gabriela Gonçalves | G1, em São Paulo

Foi em junho de 2014, após três anos cursando engenharia aeroespacial na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que Mateus Oliveira, de 22 anos, participou do programa federal Ciências sem Fronteiras. Hoje, participa de um projeto espacial patrocinado pela Nasa, a agência espacial americana, em uma universidade dos Estados Unidos.

Mateus Oliveira, 22 anos, Estudante de Engenharia Aeroespacial  na UFMG, participa do programa Cieências sem Fronteiras (Foto: Arquivo pessoal/Mateus Oliveira)Mateus Oliveira, 22 anos, estudante de Engenharia Aeroespacial na UFMG, participa do programa Ciências sem Fronteiras (Foto: Arquivo pessoal/Mateus Oliveira)

O estudante começou a trabalhar no laboratório de sistemas espaciais após cursar uma disciplina prática ministrada pelo diretor da equipe e obter notas altas. "Acredito que participar desse projeto é um incentivo para muitos estudantes brasileiros", conta.

A Nasa tem projetos educacionais e parcerias com muitas universidades dos Estados Unidos e, anualmente, seleciona os melhores projetos do país para serem lançados no espaço através do seu programa educacional de nanossatélites. Rascal foi um dos selecionados no ano passado.

Rotina

Além de trabalhar no laboratório, Mateus também assiste às aulas, faz natação e musculação. Em épocas de provas, passa grande parte do seu dia na biblioteca da Universidade de Saint Louis. "A minha rotina aqui é mais intensa em relação a rotina que tinha no Brasil. Aqui aprendi a organizar meu tempo, me sinto mais produtivo hoje em dia", afirma o estudante.

O intercâmbio já era um sonho antigo do jovem, que para facilitar sua ida aos Estados Unidos, contou com dicas de amigos que já tinham feito intercâmbio e praticou o inglês com seu irmão.

Mesmo praticando em casa, Mateus enfrentou dificuldades para se adaptar ao idioma nas duas primeiras semanas e, por isso, fez dois meses de curso de inglês para "melhorar a habilidade com a língua".

No laboratório em que trabalha, o jovem tem tido a compreensão dos colegas que o ajudam quando enfrenta dificuldades com alguns termos técnicos. "Eles são muito prestativos e, além disso, o projeto tem extensa documentação e eu posso pesquisar e estudar termos e conceitos", afirma. Morando há nove meses nos Estados Unidos, o estudante já consegue acompanhar as aulas, escrever cartas e estabelecer diálogos.

Pará de Minas

O estudante, que nasceu em Pará de Minas (MG), cerca de 80 km de distância de Belo Horizonte, contou com o apoio dos pais para aproveitar as oportunidades. "Meus pais me incentivaram bastante, tive muito apoio deles", conta Mateus, que acredita que passar no vestibular foi a parte mais difícil de sua vida acadêmica.

Embora tenha sido uma fase complicada, o resultado foi positivo. Além da UFMG, o estudante também foi aprovado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop), Universidade Federal de Itajubá (UniFei), Universidade Federal do ABC (UFABC).

Projeto Rascal

O laboratório de sistemas espaciais, que Mateus faz parte, é responsável pelo projeto Rascal, um satélite de duas pequenas naves espaciais para aprimorar tecnológicas de operações de proximidades e percepção no espaço. O lançamento do satélite está previsto para 2016.

De acordo com o estudante, após serem lançadas no espaço, uma nave espacial irá se sincronizar com a outra e assim obter parâmetros como distância e velocidade, que depois serão processados e poderão contribuir para aprimorar manobras. "Eu não esperava ter uma oportunidade como essa durante a faculdade. É uma grande conquista para a minha carreira", afirma o jovem.

Futuro

Quando voltar ao Brasil, o jovem planeja organizar melhor seu tempo. "Quero fazer as minhas atividades obrigatórias e ter tempo para o lazer", conta Mateus, que pretende aplicar a experiência do intercâmbio para participar de um projeto de pesquisa sobre análise estrutural.

"Eu ainda não tomei nenhuma decisão sobre o que farei após me formar", afirma Mateus, que no momento está focado em aproveitar experiência internacional.

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