Feliciano Sodré

22/07/2014 14:22

Feliciano Pires de Abreu Sodré, conhecido como Feliciano Sodré, (Macaé, 1881 — c. 1945) foi um Engenheiro, Militar e Político brasileiro.

Protagonizou um período conturbado da política fluminense quando concorreu duas vezes para o cargo de presidente do estado do Rio de Janeiro e, em ambas, entrou em conflito com seu antigo aliado político Nilo Peçanha.

O primeiro-tenente engenheiro militar foi eleito deputado estadual no Rio de Janeiro em 1910, e posteriormente nomeado prefeito da cidade de Niterói pelo presidente do estado à época, o também macaense Oliveira Botelho.

PREFEITO DE NITERÓI

feliciano sodreComo aliado de Oliveira Botelho, Feliciano Sodré tivera à sua disposição cerca de 25.000 contos de réis que o governo estadual captou de empréstimos no exterior. Com isso, continuou a fase de grandes empreendimentos na cidade, como seus antecessores. Em 1911 reformou o Teatro João Caetano (Teatro Municipal de Niterói). Propôs à Câmara de Vereadores o saneamento da enseada de São Lourenço, mediante aterro, a construção de um grande porto em Niterói naquele local e a captação de águas de rio com nascentes nas encostas da Serra dos Órgãos para reforçar o abastecimento da cidade.

Promoveu a construção da nova sede legislativa, o Paço Municipal de Niterói, em detrimento do antigo prédio da sede municipal, a Casa da Câmara e Cadeia, construído em 1824, que preferiu ver demolido, por querer apagar resquícios do período imperial .

Também em 1913 o prefeito iniciou as obras de construção do novo quartel do Corpo de Bombeiros na Rua Marquês do Paraná. Promoveu o calçamento de várias ruas e avenidas. Também realizou o desmonte do morro situado à esquerda da Rua Doutor Celestino aterrando o antigo Campo Sujo. Com isso, possibilitou a abertura de um novo arruamento e o projeto de criação do centro cívico da capital do estado (atual Praça da República), iniciado pelo governador Oliveira Botelho e finalizado no de Nilo Peçanha. Construiu o outrora Asilo da Velhice Desamparada, que já fora sede da Faculdade de Medicina, legada à Universidade Federal Fluminense, e onde hoje se situa o prédio do Instituto Biomédico da mesma.

Seu mandato como prefeito de Niterói se estendeu de 31 de dezembro de 1910 a 21 de março de 1914, quando desincompatibilizou-se do cargo para concorrer ao posto de presidente do estado do Rio de Janeiro.

CRISES DA DUALIDADE DE MANDATOS E LEGISLATURAS NO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

A crise inicia-se com o rompimento entre o presidente do estado do Rio de Janeiro Oliveira Botelho e Nilo Peçanha.

Primeira crise - eleição de 1914
Segunda crise - eleição de 1922

A disputa política pelo governo fluminense com o candidato situacionista, o nilista Raul Fernandes, causa novamente outra dualidade de assembléias legislativas e presidentes de estado (a última foi em 1914, justamente tendo Feliciano Sodré e Nilo Peçanha em lados opostos), cada qual colocando-se como vencedor. Apesar de Sodré haver sido empossado presidente, em 31 de dezembro de 1922, pela maioria oposicionista na Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o candidato situacionista, com apoio dos militares, tomou posse do Poder Executivo, munido de um habeas corpus expedido pelo Supremo Tribunal Federal. Diante do impasse, o presidente da república Artur Bernardes- de quem Feliciano Sodré era partidário - proclamou intervenção federal e nomeou Aurelino Leal como interventor em 10 de janeiro de 1923. Através do decreto Decreto n° 1.975 de 22 de agosto de 1923, o interventor resolveu dissolver as Prefeituras e Câmaras Municipais do estado. Novas eleições foram convocadas e o então tenente-coronel Felíciano Sodré assumiu a presidência do estado de direito e de fato. Com o falecimento de Nilo Peçanha em 1924, seu grupo político se enfraqueceu.

PRESIDENTE DO RIO DE JANEIRO E SENADOR DA REPÚBLICA

O presidente do estado fora um dos idealizadores da Renascença Fluminense - movimento que promoveu uma urbanização modernizadora e inaugurações de jardins, monumentos, hermas e placas comemorativas em homenagem a figuras de vulto da política fluminense ou nacional, sendo destaque o Monumento à República, na praça de mesmo nome, no novo centro cívico da capital fluminense da época (Niterói). Era claramente inspirado na modernização da cidade do Rio de Janeiro promovida por Pereira Passos.

Começou levar à frente de projetos que não implementou na capital estadual quando era prefeito, sendo o principal deles o aterro da enseada de São Lourenço, construção do Porto de Niterói, arruamento da área acrescida pelo aterro, na forma de semi-círculo e obras de saneamento e esgoto na cidade. Também iniciou as obras para a construção de um mesmo porto na cidade de Angra dos Reis, para atender ao escoamento da produção de café proveniente da região do Vale do Paraíba.

Na agricultura, tentou estabelecer o burgo agrícola de Sodrelândia (no município de Trajano de Morais) e criar o Instituto de Economia e Fomento Agrícola. Nenhum desses planos agrícolas vingou. No campo das finanças não só contraiu mais empréstimos para financiar suas obras, como anulou toda a dívida sua e seu antecessor, enquanto prefeitos da cidade de Niterói, que somavam a quantia de 18.000 contos de réis através da expedição da Lei n° 1.901 de 24 de novembro de 1924.

Exerceu então o governo fluminense entre os anos de 1923 e 1927, sendo eleito senador pelo estado do Rio em 1928.

HOMENAGENS

Muitos logradouros e escolas no estado do Rio de Janeiro homenageiam o político, podendo citá-los nos municípios de Cabo Frio, Casimiro de Abreu, São Gonçalo,São Pedro da Aldeia, Niterói e Teresópolis. Destaques são dados a Cabo Frio e a Niterói. O primeiro por sua ponte, inaugurada em 1926 (maior vão livre do país naquela época), que interliga os dois lados da cidade, separados pelo canal do Itajuru e tombada pelo Patrimônio Municipal em 1989. O segundo pela avenida, que passa paralela ao porto cuja construção promoveu. Ela inicia-se da Praça da Renascença (centro do semi-círculo do arruamento) e estende-se até a esquina com a Avenida Rio Branco.