História de Niterói

24/04/2014 16:37

Imperial Cidade, Cidade Invicta e Cidade Sorriso

A região atualmente ocupada por Niterói foi habitada, a partir de 4000 a.C., aproximadamente, por povos coletores, caçadores e pescadores que deixaram, como marcas de sua passagem, grandes vestígios arqueológicos, os sambaquis.

Sambaquis (do tupi tamba, "concha", e ki, "depósito", significando "depósito de conchas") são os restos de conchas, esqueletos humanos, cerâmica, machados, ossos de animais, peixes e pontas de pedra de flechas que foram soterrados e que passaram por um processo de fossilização.

Por volta do ano 1000, no entanto, estes povos coletores foram expulsos ou destruídos por tribos invasoras de língua tupi, os chamados tupinambás ou tamoios, provenientes da Amazônia (provavelmente, da atual região do estado de Rondônia, no Brasil).

Os primeiros europeus a passarem pela região foram os portugueses na expedição de reconhecimento liderada por Gonçalo Coelho e Américo Vespúcio, que, em 1º de janeiro de 1502, descobriu a Baía de Guanabara, batizando-a "Rio de Janeiro". Porém, como não foram encontrados metais preciosos ou grandes impérios, a região não interessou aos portugueses.

Devido ao descaso dos portugueses, traficantes franceses de pau-brasil estreitaram os laços com os tamoios, gerando uma sólida aliança comercial entre os dois povos. Em meados do século XVI, a França decidiu implementar um projeto de colonização na região da Baía de Guanabara, intitulado França Antártica.

Em 1555, o navegador francês Nicolas Durand de Villegaignon chegou à Baía de Guanabara e se instalou na ilha denominada Serigipe pelos indígenas, no local atualmente ocupado pela Escola Naval, em frente ao Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio de Janeiro. Ali, ele construiu o Forte Coligny, que seria arrasado em 1560 por uma expedição portuguesa liderada pelo governador-geral Mem de Sá.

Ainda em 1555, foi construído, pelos franceses, um posto de observação na Praia de Fora, em Niterói, para vigiar a entrada da Baía de Guanabara.

Os Tamoios, primitivamente os únicos possuidores dessas terras, também seriam os legítimos defensores dos territórios marginais da Guanabara. Foram eles surpreendidos pelos conquistadores portugueses e franceses, que lutariam pela posse da terra descoberta. Foi assim desde janeiro de 1502, quando a expedição de André Gonçalves aportou à Guanabara. Os ameríndios tomaram partido e foram despojados dos seus preciosos tesouros pelos portugueses, acumpliciados com a tribo inimiga, chefiada pelo "cobra feroz" - o Araribóia.

NA FRACASSADA INVASÃO FRANCESA EM 1555 COMEÇAVA A HISTÓRIA DE NITERÓI

Em toda esta luta contra os tamoios e os franceses, os portugueses contaram com a ajuda valiosíssima dos índios temiminós, que habitavam originalmente a atual Ilha do Governador, na Baía de Guanabara, mas que haviam sido expulsos de lá pelos tamoios e franceses.

Os temiminós, na ocasião, liderados por Maracajá-Guaçu, se transferiram para a Capitania do Espírito Santo, onde se converteram ao catolicismo, foram catequizados pelos jesuítas, fundaram a cidade de Serra e ajudaram os portugueses a expulsar invasores neerlandeses.

Com a invasão francesa, os portugueses recrutaram os temiminós para que eles os ajudassem a expulsar os franceses. Como recompensa pela ajuda, os portugueses ofereceram ao líder dos temiminós, Arariboia ("cobra da água de arara", traduzido do idioma tupi), que era filho do antigo chefe Maracajá-guaçu, a porção direita da entrada da Baía de Guanabara, enquanto os portugueses ocupariam a sua porção esquerda, a atual cidade do Rio de Janeiro.Tal forma de ocupação seria útil do ponto de vista estratégico para a defesa da baía.

Arariboia aceitou e ocupou a região. Antes da ocupação da porção direita da entrada da Baía de Guanabara, os temiminós ainda ocuparam por algum tempo a região do atual bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro.

Com a divisão do Brasil em Capitanias Hereditárias, as terras marginais da Guanabara integrariam o grandioso legado de Martim Afonso de Sousa, nome também pelo qual foi mais tarde batizado o cacique Araribóia.

A bravura do cacique Araribóia e de sua tribo foi retribuída com a cessão das terras pela coroa portuguesa.

A sesmaria do Dr. Antônio de Mariz ou Marins Coutinho, Provedor da Fazenda Real no Rio de Janeiro, bem como as de Pero Martins Namorado e José Adorno, incorporando as terras de São Lourenço e Caraí (Icaraí), doadas em 1560 e 1565 jaziam ainda semi-abandonadas, quando se processou a desistência do fidalgo português e sua mulher Isabel Velho, para formar o patrimônio de Araribóia e sua gente. Era esta sesmaria constituída de "todo o terreno, desde as primeiras barreiras vermelhas, correndo ao longo da baía acima caminho do norte até completar uma légua de terras e duas léguas para o sertão". Começava, na realidade, em Gragoatá e rumava até Maruí, onde tinha início outra sesmaria. 

A doação por Mem de Sá tornou-se efetiva a 16 de março de 1568, sendo a posse solene, com a presença do Governador Cristóvão de Barros, realizada em 22 de novembro de 1573, data que consta no atual brazão da cidade. Esta é a data maior de Niterói, batizada na ocasião como São Lourenço dos Índios, considerada feriado municipal e ainda solenemente comemorada todos os anos, mesmo em detrimento da efeméride de 10 de maio, quando, em 1819, verificou-se a emancipação política da Vila Real da Praia Grande. 

Instalou-se Araribóia, com sua tribo, na encosta do morro de São Lourenço onde foram construídas as primitivas choupanas e igualmente uma capela, a primeira edificada em Niterói.

O aldeamento de São Lourenço dos Índios tinha uma posição estratégica: se localizava no alto de um morro, propiciando vista panorâmica da entrada da Baía de Guanabara e era cercado de manguezais, o que dificultaria uma eventual invasão pela água.

ENCENADA PELA PRIMEIRA VEZ PEÇA TEATRAL DE JOSÉ DE ANCHIETA

Foi na Igreja de São Lourenço dos Índios, em 10 de agosto de 1583, que ocorreu a primeira encenação da mais famosa peça do jesuíta José de Anchieta: Jesus na Festa de São Lourenço.

igreja de são lourenço dos índios

Igreja de São Lourenço dos Índios

No início as atividades navais eram responsáveis pelo progresso da aldeia, que com advento do comércio de peixes, de construções de armações, esquartejamento e industrialização de baleias, adquiriu importância até tornar-se Vila Real da Praia Grande, em 1819.

Porém os sobreviventes franceses, aliados aos índios tupinambás, permaneceram na região e somente seriam definitivamente expulsos pelos portugueses em 1567.

Nesse mesmo ano, os portugueses instalaram uma guarnição de artilharia na Praia de Fora, em Niterói, no antigo posto de observação francesa da entrada da Baía de Guanabara.

Não tardou que as terras da sesmaria fossem dadas em aforamento aos aventureiros que procuravam usurpar a propriedade dos Tupiminós.

O Dicionário Aurélio relata que a região onde foi fundada a cidade era habitada, na época, pelos índios cariis. Na mesma época, um francês chamado Martin Paris, que havia traído seus compatriotas e ajudado os portugueses, recebeu do governo português uma sesmaria na atual região de São Francisco, como recompensa.

A morte de Araribóia, que se afogou nas imediações da Ilha de Mocanguê em 1587, segundo Vanhagen, devia agravar a situação aflitiva dos homens da aldeia de São Lourenço, cujas terras continuavam a ser invadidas por exploradores, proporcionando demandas de grande duração e suscitando dúvidas, algumas prolongadas através dos séculos. O aldeamento foi extinto em 26 de janeiro de 1866 pelo Governo da Província, tal a situação de decadência.

Em 1596, a bateria instalada na Praia de Fora rechaçou uma tentativa de invasão neerlandesa chefiada por Van Noorth. Melhor sorte tiveram os núcleos de colonização portuguesa que se estabeleceram nos atuais bairros de São Domingos, Icaraí, Piratininga e Itaipu.

Em Piratininga, os jesuítas possuíam a Fazenda do Saco, que produzia gêneros alimentícios para o Colégio dos Jesuítas, na cidade do Rio de Janeiro, então chamada de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Os núcleos de colonização em Icaraí, Itaipu e São Lourenço foram elevados à condição de freguesias durante os séculos XVII e XVIII, sob os nomes de São João Batista de Icaraí, São Sebastião de Itaipu e São Lourenço.

Em 1650, foi construída a Igreja de Boa Viagem, na ilha de mesmo nome.

ilha de boa viagem

Ilha de Boa Viagem com a Igreja de Boa Viagem (1890)

Em 1715, foi iniciada a construção do Forte São Luís em um pico localizado ao lado da Fortaleza de Santa Cruz, para reforçar a defesa da entrada da Baía de Guanabara. O forte foi fundado em 1775.

Em 17 de agosto de 1751, foi inaugurada a Capela de São Pedro, na fazenda homônima, na Enseada do Maruí.

Por esta época, as principais atividades produtivas de Niterói eram a pesca da baleia, a agricultura, a pecuária e a produção de açúcar, de farinha de mandioca e de peixe salgado.

As baleias eram pescadas na Baía de Guanabara, região muito procurada pelas baleias, originando as chamadas "armações", ou seja, locais onde se reuniam os barcos baleeiros.

Dessa época, vem o nome do bairro atual da Ponta da Armação, também chamada de ponta d´Areia ou Portugal Pequeno.

Vale lembrar que o óleo extraído das baleias era muito utilizado na época como argamassa de material de construção das casas.

Os gêneros alimentícios produzidos por Niterói abasteciam a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Restos arquitetônicos desta época são a Fortaleza de Santa Cruz, o Convento de Santa Tereza (que atualmente abriga o Museu de Arqueologia de Itaipu), a Igreja de São Sebastião de Itaipu, a Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso de Piratininga, a Igreja de São Francisco Xavier (que deu o nome ao bairro e praia de São Francisco e cuja inscrição charitas, na entrada, que significa "caridade", em latim, deu o nome à atual Praia de Charitas) em São Francisco e a Igreja de Nossa Senhora da Conceição no Centro de Niterói. A igrejinha do morro de São Lourenço, que substituiu a primitiva capela, ainda resistindo às intempéries, é o principal monumento da Cidade e está incorporada ao nosso Patrimônio Histórico.

museu de arqueologia de Itaipu

Museu de Arqueologia de Itaipu

A decadência da sede da aldeia de São Lourenço contrastava com a prosperidade das demais regiões. Surgiram, em curto prazo, povoações diversas na Praia Grande, Icaraí, Maruí, São Domingos, São Gonçalo, São Francisco, Jurujuba, Itaipu e outras localidades, ao mesmo tempo que aumentavam as lavouras e pequenas indústrias, nas várias propriedades em que também se multiplicavam as sesmarias.

No século XVIII o progresso econômico atingiria proporções maiores e, ao lado das fazendas, não poucos eram os engenhos de açúcar e aguardente, da mesma forma que prosperavam as lavouras de cereais, mandioca, legumes e frutas.

O comércio desenvolvia-se na mesma proporção das atividades agrícolas e as dezenas de barcos de transporte de gêneros e passageiros davam maior movimento ao litoral, em constante intercâmbio com outros portos das diversas freguesias e igualmente com os da Cidade do Rio de Janeiro. Consolidavam-se assim, nos fins do século XVIII, as possibilidades de progresso das freguesias, que eram já habitadas por milhares de paroquianos-livres e escravos.

NITERÓI TEVE PAPEL DESTACADO EM DOIS ATAQUES DE PIRATAS FRANCESES AO RIO DE JANEIRO DURANTE O SÉCULO XVIII.

Não foi das menos práticas e eficientes a cooperação das tropas enviadas pelas freguesias da "banda d'além" para dar combate aos franceses no Rio de Janeiro, por ocasião das invasões dos contingentes comandados por Duguay-Trouin e Duclerc, em 1710 e 1711. As últimas pugnas, no centro urbano, tiveram a colaboração preciosa, oportuna e decisiva dos milicianos de diversas zonas dessas freguesias de aquém Guanabara . 

Em combate travado nas proximidades do cais Parou, quando entrincheirados os intrusos no trapiche de Luiz Mota Leite, lutando contra as tropas de Duclerc, perdeu a vida o Capitão de Cavalaria Antônio Dutra da Silva, que comandava os milicianos de São Gonçalo e outras regiões, os defensores do referido reduto.

No primeiro ataque pirata, o francês Duclerc foi rechaçado pelos canhões da Fortaleza de Santa Cruz e pela Bateria da Praia de Fora, obrigando-o a se afastar e atacar o Rio de Janeiro pela retaguarda, por Sepetiba. Porém esta manobra dificultou o avanço de Duclerc, que foi vencido com facilidade pela população do Rio de Janeiro.

Antes ainda da data magna de 7 de setembro, não menos ativas e destemerosas mostraram-se as milícias da Praia Grande. Revoltadas as tropas do general Avilez, aquarteladas na Armação, tiveram a repulsa dos milicianos e do próprio povo. Os revoltosos foram obrigados a pedir clemência a Pedro I, apressando, assim, o embarque para Portugal.

Na segunda invasão, efetuada pouco após por Duguay-Trouin em vingança pela morte de Duclerc, os moradores da cidade do Rio de Janeiro tiveram que pagar um resgate de 610 000 cruzados, duzentos bois e cem caixas de açúcar.

Os cruzados foram doados pelos habitantes do Rio de Janeiro, porém os bois e o açúcar tiveram que ser pagos pela população da "banda d´além", o que demonstra a importância da agropecuária em Niterói e nas regiões vizinhas (São Gonçalo e Itaboraí) na época.

O século XIX, com a vinda de D. João VI para o Brasil, marcaria o apogeu do progresso das freguesias do Recôncavo e particularmente a de São João de Icaraí.

brazão de niterói

 

Tornou-se famoso, nesses sítios, o dia 13 de maio de 1816, quando D. João resolveu passar a data do seu natalício em São Domingos.

A população da Praia Grande alvoroçou-se com a presença da Nobreza e as demonstrações militares, em que tomava parte tôda a tropa aquartelada nas imediações, principalmente a "Divisão de Voluntários Reais".

A criação da Vila Real da Praia Grande seria conseqüência lógica dessas demonstrações de carinho e solidariedade de toda uma população a El-Rei. Atendendo aos apelos da população, o rei dom João VI, que costumava passar temporadas de férias no bairro de São Domingos, elevou a região à condição de vila: a Vila Real de Praia Grande.

A 11 de agosto de 1819, data que consta no brazão da cidade, realizava-se a solene instalação, com as demonstrações máximas de regozijo da população agradecida. Uma nova era de progresso também seria iniciada para toda a região, assim distinguida pela generosidade real.

PRIMEIRA CIDADE BRASILEIRA A TER PLANEJAMENTO URBANO

No ano seguinte, foi feito um plano de arruamento da cidade, ordenando o centro da cidade em ruas segundo uma disposição quadriculada que se mantém até hoje. Foi a primeira forma de planejamento urbano de uma cidade brasileira. O projeto era da autoria do francês Arnaud Julien Pallière e do major engenheiro brasileiro Antônio Rodrigues Gabriel de Castro.

Foi feliz a Vila Real da Praia Grande com o seu primeiro governo. Traçado o plano de urbanização das terras das freguesias de São Lourenço e São João, foi, segundo documentação preciosa, o mesmo de autoria de José Clemente Pereira - o primeiro Juiz-de-fora nomeado.

Quando deixou o cargo, em 1821, a Vila já possuía 747 habitações e 5.015 habitantes, sendo 2.771 escravos e 2.244 livres. A receita da Câmara foi nesse ano, de 2:164$715 e a despesa de 2:022$365.

Ainda em 1821, José Clemente Pereira transmitiu o honroso cargo ao seu substituto, o Dr. Antônio José de Siqueira e Silva, depois de haver prestado os mais relevantes serviços à nova comuna, conquistando a estima e gratidão da população.

Em 1824, foi construída a Casa da Câmara e Cadeia, no Largo de São João, no lugar de um antigo cemitério indígena, obedecendo ao planejamento urbanístico de Pallière.

MARCO DE FUNDAÇÃO DO TEATRO BRASILEIRO E VISITA DE CHARLES DARWIN

Em 1826, João Caetano estreou, num pequeno palco da Rua 15 de Novembro, no Centro, a sua Companhia Dramática Nacional. Segundo alguns, este foi o marco de fundação do teatro brasileiro.

Em 1832, o cientista inglês Charles Darwin passou pela cidade. Ele estava em uma expedição científica ao redor do mundo. Os dados coletados por ele nessa expedição serviram de base para ele formular a sua revolucionária teoria da evolução das espécies. Darwin, após visitar a cidade do Rio de Janeiro, atravessou a Baía de Guanabara e se dirigiu, a cavalo, até a cidade de Conceição de Macabu. Em Niterói, visitou particularmente a região da Serra da Tiririca.

EVOLUÇÃO POLÍTICA

O Ato Adicional, de 12 de agosto de 1834, deveria criar uma situação excepcional para os anseios de progresso da Vila Real. 

Alcançada a verdadeira autonomia da Província do Rio, pela emancipação do Município Neutro, com administração autônoma, foi eleita a primeira Assembléia Provincial e os deputados convocados pelo presidente - Joaquim José Rodrigues Torres, futuro Visconde de Itaboraí para reunirem-se na Vila Real da Praia Grande.

Dessa primeira Assembléia faziam parte as personalidades de maior relevo no cenário político nacional e que mais intensamente haviam colaborado para a emancipação política.

Entre esses vultos eminentes, estavam Evaristo da Veiga, Gonçalves Ledo, José Clemente Pereira, Francisco das Chagas Werneck, Caldas Viana, Paulino José Soares de Sousa (o futuro Visconde de Uruguai), que, em colaboração com o Presidente Joaquim José Rodrigues Torres ( Visconde de Itaboraí), deviam dar organização definitiva à administração da Província do Rio de Janeiro.

Uma das primeiras leis votadas seria a localização da capital da Província. A escolha recairia ainda na mesma vila, sede provisória e que foi elevada à categoria de Cidade pela Lei n.° 6, de 28 de março de 1835, com a consagração do topônimo Niterói, de origem tupi. Este termo significa "água verdadeira fria" ('yetéro'y) no idioma tupi e era utilizado pelos índios para se referir à entrada da Baía de Guanabara, que é uma região de águas mais frias que o resto da baía devido à constante entrada de água proveniente do Oceano Atlântico. Também há outra interpretação, em que Nictheroy, em Tupi, significa “água escondida”.

Para a presidência da Província do Rio, seriam sempre escolhidos os mais experimentados estadistas. Desde o Visconde de Itaboraí, em 1834, até o Conselheiro Carlos Afonso de Assis Figueiredo, em 1889, ocuparam este elevado posto consagrados vultos da política nacional, entre os que mais se salientavam na administração da causa pública em terras do Império do Brasil.

Tal a importância de Niterói, em função desses múltiplos privilégios, que foi concedida, em 22 de agosto de 1841, à capital fluminense, o título de "IMPERIAL CIDADE".

CRESCIMENTO URBANO

A condição de capital trouxe uma série de desenvolvimentos urbanos, como a barca a vapor, iluminação pública a óleo de baleia, lampiões a gás, abastecimento de água e novos meios de transporte (bondes elétricos, estradas de ferro, companhia de navegação) para ligar a cidade ao interior do estado.

Em 1835, foi inaugurada a primeira linha regular de barcas entre o Rio de Janeiro e Niterói.

Em 1840-1841, foi construída a ligação por terra entre os bairros do Ingá e de Icaraí. Na região, localiza-se a estrutura rochosa conhecida como Pedra de Itapuca, símbolo da cidade presente na bandeira municipal.

Itapuca é um termo tupi que significa "pedra furada". Tal estrutura compunha-se de uma ponte de pedra que ligava o promontório rochoso no mar com o continente, formando uma estrutura com o formato de uma pedra com um furo. Porém a ponte de pedra desmoronou, restando somente a Pedra de Itapuca, que fica bem próxima a outro símbolo da cidade, a Pedra do Índio.

Em 1842, João Caetano adquiriu a casa onde havia se apresentado na Rua 15 de Novembro e a transformou no Teatro Santa Tereza.

teatro joão caetano

Teatro Santa Tereza, atual Teatro Municipal João Caetano

Em 1 de novembro de 1855, foi realizado o primeiro enterro no Cemitério de Maruí.

Em 1860, foi inaugurada a estação das barcas na Rua das Chagas, atual Praça Leoni Ramos, no bairro de São Domingos.

estação das barcas da cantareira

Estação Cantareira das Barcas (1900)

Entre 1861 e 1900, foram construídos a Capela e Cemitério de Nossa Senhora da Conceição, cujas ruínas podem atualmente ser vistas no interior do Condomínio Ubá-Itacoatiara, na Estrada de Itacoatiara, número dez.

Em 1863, começou a ser construído, na Ponta do Imbuí, o Forte Dom Pedro II.

forte dom pedro II forte imbuí

Forte Dom Pedro II atual Forte do Imbuí

Em 1866, a Província do Rio de Janeiro extinguiu, oficialmente, a antiga aldeia indígena de São Lourenço dos Índios, sob o argumento de que já não existiam índios no Brasil. Desta forma, o terreno da aldeia foi incorporado ao município.

Em 1871, surgiram os primeiros bondes em Niterói, puxados por mulas.

Em 1872, o português Bento Joaquim Alves Pereira construiu o Solar do Jambeiro, residência no bairro do Ingá.

solar do jambeiro

Solar do Jambeiro (1872)

Ao longo do século XIX, desenvolveu-se a indústria naval em Niterói, especialmente na Ponta d`Areia, que passou a abrigar importantes estaleiros, como por exemplo o estaleiro do Visconde de Mauá.

O imperador dom Pedro II gostava de visitar a cidade para assistir aos espetáculos no Teatro Santa Tereza, atual teatro municipal João Caetano. Em 1845, ele inaugurou o Chafariz da Memória, na atual Praça do Rink e, em 1854, a Igreja de São João Batista, no Centro. Também foi inaugurado, pelo imperador, o Asilo Santa Leopoldina, mais tarde transferido para Icaraí.

FIM DA ESCRAVIDÃO

No dia 4 de abril de 1888, a câmara municipal de Niterói aboliu a escravidão na cidade, um mês e quatro dias antes de a princesa Isabel assinar a Lei Áurea.

Em 1889, foi inaugurada a nova estação das barcas na Praça Arariboia.

estação das barcas

Estação das Barcas (1908)

Em 1890, Niterói teve seu território grandemente reduzido devido à separação das freguesias de São Gonçalo, Nossa Senhora da Conceição de Cordeiro e São Sebastião de Itaipu, que passaram a constituir o município de São Gonçalo.

A REPÚBLICA

A CIDADE IMPERIAL, capital da Província do Rio de Janeiro, seria também um foco de agitações em torno dos movimentos abolicionista e republicano.

Niterói foi o quartel-general da mocidade fluminense, empenhada nas pugnas pela proclamação e consolidação da República. Alguns dos seus filhos ilustres, entre eles Benjamin Constant e Miguel Lemos, foram reformadores e pensadores do mais alto descortino e de grande predomínio nos meios culturais do país. Outros valores intelectuais colaborariam no próprio meio, nos Clubes Republicanos, nas redações, nas cátedras e nas praças públicas, entre os últimos bastaria citar os intimoratos propagandistas Silva Jardim e Alberto Torres.

Por essas mesmas razões, a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, não surpreendeu o povo de Niterói.

Na capital do Estado reuniram-se, no curto espaço de dois anos, dois Congressos Constituintes, Senado e Câmara, em 1891, e Assembléia Fluminense Constituinte, em 1892, conseqüência esta última da deposição do primeiro governador, nomeado pelo general Deodoro da Fonseca o sr. Francisco Portela.

A revolta de 1893 teria reflexos os mais desastrosos para a Cidade de Niterói. No auge da Segunda Revolta da Armada, Niterói foi bombardeada pelos navios da armada. Monumentos destruídos, bairros sacrificados, mortos e feridos, êxodo da população, lares desfeitos, ruínas, cores, sangue, lágrimas e desolação por toda a parte. 

A revolta da Armada ocorreu na Marinha pelo cumprimento da Constituição de 1891, que obrigava a realização de eleições presidenciais para a escolha do sucessor de Deodoro da Fonseca, presidente que havia renunciado ao cargo em 1891. O cargo havia sido ocupado por Floriano Peixoto, o vice-presidente.

Os revoltosos tentaram várias vezes invadir a cidade, porém não conseguiram vencer a resistência das tropas leais ao governo. Um dos baluartes da resistência na cidade foi a Bateria da Praia de Fora, que, em 1896, foi renomeada como Forte Marechal Floriano Peixoto, por sua lealdade ao presidente. Foi na Praia de São Francisco que ocorreu a primeira vítima fatal da revolta: uma mulher que foi atingida por uma bala de canhão disparada pelos navios revoltosos. Pela resistência, Niterói recebeu a alcunha de "CIDADE INVICTA".

Enfim, as conseqüências funestíssimas da guerra civil na cidade indefesa, somente contando com o heroísmo de seus filhos e a fibra do mais puro civismo dos batalhões patrióticos e dos seus comandantes, de que representa o maior padrão de glórias o grande defensor da "CIDADE INVICTA" - o general Fonseca Ramos.

Esta é a página mais brilhante da história de Niterói, quando todo o país sofria os horrores da revolução de 1893.

A Assembléia Legislativa foi convocada extraordinariamente, em janeiro de 1893, para tratar da mudança da capital. Foi vitoriosa a transferência imediata para a cidade de Petrópolis, verificada, após a resolução legislativa a princípio em caráter provisório, em 30 de janeiro de 1894, e mais tarde, em definitivo, em 1.° de outubro do mesmo ano.

Nos governos de Porciúncula (parte final), Maurício de Abreu e Alberto Torres, bem como em parte no triênio de Quintino Bocaiúva, o Estado do Rio de Janeiro teve como sede a Cidade de Petrópolis.

Em 1900, a Ordem Salesiana ergueu um monumento a Nossa Senhora Auxiliadora no alto do Morro de Santa Rosa.

Em 1901, terminou a construção do Forte Dom Pedro II, renomeado então como Forte do Imbuí, devido ao desejo de afastar qualquer menção ao regime monárquico recém-derrubado.

A RENASCENÇA FLUMINENSE

Por deliberação da Assembléia, de 4 de agosto de 1902, Niterói tornaria a ser sede do governo fluminense. A solene instalação realizar-se-ia em 20 de junho de 1903, com as máximas demonstrações de júbilo das autoridades e do povo.

Reassumida sua condição de capital do estado do Rio de Janeiro, Niterói passou por uma reforma urbanística que ficou conhecida como Renascença Fluminense.

Após a reinstalação da capital em Niterói, retomadas as condições normais de paz e de trabalho profícuo, foi que a "CIDADE INVICTA" voltou ao ritmo bem mais acelerado de progresso. Nas administrações dos prefeitos nomeados, principalmente Paulo Alves e Pereira Ferraz, nos governos Nilo Peçanha e Alfredo Baker, as transformações foram as mais completas, ampliando de muito o ótimo plano de urbanização de José Clemente Pereira, com a abertura das novas e amplas avenidas, reforma dos parques e embelezamento das praias.

A Enseada de São Lourenço foi aterrada, o Morro do Campo Sujo, ou Doutor Celestino, foi desmontado por meios hidráulicos e foi construído o novo centro cívico da cidade sobre um terreno utilizado como esgoto na região da atual Praça da República.

Foram construídos, em estilo eclético, ao redor da praça, segundo o projeto geral do arquiteto Pietro Campofiorito, os prédios da Biblioteca estadual, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (atual Câmara dos Vereadores de Niterói), do Liceu Nilo Peçanha, da sede regional da Polícia Civil e o do Tribunal de Justiça de Niterói. O centro da praça foi ocupado pelo monumento Triunfo da República.

Êsse novo impulso, para as conquistas relativas às modernas técnicas inovadoras, principalmente urbanísticas, influiria extraordinariamente para melhorar a fisionomia dos bairros antigos, já agora modernizados e apresentando novos aspectos. Esses melhoramentos atingiram ainda mais elevado clímax com a ampliação das obras de saneamento com uma rede de esgotos, calçamento e embelezamento, bem como criação de novos serviços a serem continuados por administrações que, mais ou menos intensivamente, vêm colaborando para esse mesmo progresso.

Em 1904, o poder executivo fluminense passou a ser sediado em um palacete no bairro do Ingá que anteriormente pertencera ao industrial português José Francisco Corrêa, dono da famosa fábrica de fumo Veado. O palacete, que anteriormente era conhecido como Palacete Sande, passou então a ser conhecido como Palácio do Ingá.

palácio do ingá

Palácio do Ingá

Em 1905, foi construído o antigo abrigo de bondes para servir de local de manutenção dos bondes elétricos a serem implantados na Rua São João número 383.

Em 1906, foram inaugurados a iluminação elétrica, o sistema de esgotos, o Estaleiro Rodrigues Alves da Companhia Cantareira de Viação Fluminense e os bondes elétricos na cidade.

Em 1908, foi concluído o parque do Campo de São Bento na região que antigamente pertencia ao Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro e que era utilizado para descanso do gado que vinha de Campos dos Goitacazes.

No mesmo ano, a Igreja de São João Batista, no Centro, foi elevada à categoria de catedral.

igreja de são joão batista

Igreja de São João Batista (1889)

Em 1910, foi inaugurada o novo prédio da prefeitura de Niterói: o Palácio Arariboia. Nesse mesmo ano, foi concluída a nova estação das barcas.

Em 1913, foi fundado o Canto do Rio Foot-ball Club.

Em 1914, foi inaugurado o Paço Municipal, sede da câmara dos vereadores, no mesmo lugar da demolida Casa da Câmara e Cadeia, por iniciativa do prefeito Feliciano Sodré.

No mesmo ano, foi inaugurado o Palácio dos Correios e Telégrafos, próximo à Estação das Barcas. Ainda na gestão de Feliciano Sodré, foi inaugurado o Palácio da Justiça, na Praça da República.

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Palácio dos Correios e Telégrafos (1920)

Em 1917, foi inaugurado o prédio do corpo de bombeiros na Rua Marquês do Paraná, número 134, no Centro.

Em 1918, foi inaugurada a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, em estilo mossarábico, no bairro de Santa Rosa.

Em 1920, a Enseada de São Lourenço, um dos marcos da fundação da cidade, foi aterrada com terra proveniente de três morros da cidade.

Em 1922, foi inaugurada uma igreja anglicana em Icaraí, a All Saints Church, por iniciativa da colônia inglesa.

Em 1925, foi instalado um busto do imperador dom Pedro II no Largo de São Domingos, atual Praça Leoni Ramos, no bairro de São Domingos, em comemoração ao centenário do nascimento do ex-imperador brasileiro. Estiveram presentes à cerimônia de inauguração o governador do estado do Rio de Janeiro Feliciano Sodré e o príncipe Dom Pedro de Orleans e Bragança.

Em 1927, foi inaugurado o porto da cidade, no aterro feito sobre a antiga Enseada de São Lourenço.

Em 1929, foi inaugurado o primeiro edifício de grande porte em concreto armado da cidade, na Avenida Jansen de Mello número três, com a função de abrigar o Instituto de Fomento e Economia Agrícola do Estado do Rio de Janeiro. O projeto foi de Pietro Campofiorito e contava com um elevador, o que era novidade para a época.

Em 1935, foi inaugurada a Biblioteca Estadual na Praça da República.

Em 1937, foi construído o Castelinho do Gragoatá, ou de São Domingos. No mesmo ano, foi construído um imenso trampolim de concreto na Praia de Icaraí.

Castelinho do Gragoatá

Em 1938, o Forte Marechal Floriano Peixoto foi renomeado Forte Barão do Rio Branco em homenagem ao diplomata. Foi criado o jardim zoológico de Niterói, no bairro do Fonseca.

Na década de 1940, foi construído o Cinema Icarahy, em estilo art déco.

cinema icaraí

Cinema Icaraí

Em 1941, foi construído o Estádio Caio Martins, pelo governador Amaral Peixoto, para abrigar partidas do campeonato carioca de futebol.

Em 1942, foi aberta a Avenida Amaral Peixoto, ligando a estação das barcas, na Praça Martim Afonso (atual praça Arariboia), ao novo centro cívico da cidade, a praça da República.

av. amaral peixoto

Av. Amaral Peixoto (1942)

Em 1943, o município de Niterói reincorporou a freguesia de Itaipu, atual Região Oceânica de Niterói.

No período posterior à Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o aumento da migração para a cidade, especialmente do interior do estado do Rio de Janeiro e da Região Nordeste do Brasil, resultou na ocupação dos morros da cidade, especialmente do Morro do Estado, formando as chamadas favelas.

Ao longo do século, foram construídos o Túnel Icaraí - São Francisco e o Cassino Icaraí, que rivalizava com o Cassino da Urca no Rio. Em meados do século, foi construído o Terminal Rodoviário Roberto Silveira em estilo modernista.

Ainda no regime de reivindicações políticas administrativas e territoriais, pela nova organização administrativa do Estado do Rio de Janeiro, a vigorar no qüinqüênio 1944/1948, foi possível a reincorporarão do Distrito de Itaipu ao Município de Niterói.

Em 1950, o papa Pio XII elevou a Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, em Santa Rosa, à condição de basílica.

Em 1958, o cargueiro Camboinhas encalhou na Praia de Itaipu. O seu resgate revelou-se impraticável, forçando o seu desmonte. Tal fato nomeou aquela região da praia como Praia de Camboinhas.

navio camboinhas

Navio Camboinhas (1958)

Em 1959, a estação das barcas foi destruída pela população num incêndio na chamada Revolta da Cantareira ou Rrevolta das Barcas, que protestava contra o alto preço e as más condições das barcas da companhia Cantareira. Em consequência, a Marinha assumiu as barcas, construindo uma nova frota e a atual estação das barcas na Praça Arariboia.

Em 1960, foi criada a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, pela junção das faculdades públicas da cidade.

Em 17 de dezembro de 1961, ocorreu o incêndio do Gran Circo Norte-Americano, na Avenida Rio Branco, que deixou 503 mortos.

Em 1964, um tumulto no Estádio Caio Martins numa partida do campeonato carioca de futebol entre o Canto do Rio e o Fluminense Football Club levou ao afastamento permanente do clube niteroiense da primeira divisão do campeonato carioca.

Em 1965, foi inaugurada a estátua de Arariboia na praça homônima em frente à estação das barcas. A Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro mudou seu nome para Universidade Federal Fluminense.

Em 1967, a reitoria da universidade passou a ocupar o prédio do Cassino Icaraí.

No final da década de 1960, o trampolim na Praia de Icaraí foi dinamitado por oferecer risco aos banhistas.

trampolim da praia de icaraí 1941

Trampolim da Praia de Icaraí (1941)

Nos anos 1970, a Praça da República, no Centro, foi totalmente destruída para dar lugar a um prédio novo.

Em 1973, foi criado o mercado de peixe São Pedro, na Ponta d'Areia. O mercado se tornou uma referência estadual em matéria de venda de frutos do mar.

Mas o maior marco para o crescimento econômico da cidade viria em meio ao regime militar, em plena ditadura, quando foi inaugurada a Ponte Presidente Costa e Silva (Ponte Rio-Niterói), em 1974. Foi o sinal para o redirecionamento de investimentos públicos, da especulação imobiliária, da infraestrutura e ocupação de bairros da Região Oceânica.

ponte rio niterói

Construção da Ponte Rio-Niterói - Presidente Costa e Silva

Concomitantemente, fatores econômicos os mais diversos cooperaram para esse novo surto de progresso que atingiria ao máximo nos últimos anos. Inúmeras fábricas foram instaladas nas ilhas e zonas urbanas e suburbanas, o comércio desenvolveu-se, as modernas comunicações rodoviárias, ferroviárias e marítimas foram bastante ampliadas e aperfeiçoadas. Todo esse conjunto, ao lado de outras condições de vida nova e ativa, pôde possibilitar a era de um estágio de grandeza em nossos dias.

Paralelamente ao progresso econômico e social, também o cultural, no sentido do desenvolvimento maior das letras, das artes e das ciências, desempenharia, como desempenhou, ação preponderante nessa evolução.

As Academias de Letras, Sociedades Médicas, bibliotecas, museus, monumentos históricos e artísticos, imprensa, ao lado de um número elevado de outras tantas associações científicas, artísticas, filantrópicas, profissionais, recreativas, integrando finalidades e aspirações da população de mais de duzentos e noventa mil habitantes, colocam bem alto, no justo renome de um notável centro urbano dos mais destacados e evoluídos, a cidade de Niterói, capital do Estado do Rio de Janeiro.

Niterói

Gentílico: niteroiense

Formação Administrativa

Freguesia criada com a denominação de ila Real da VPraia Grande, por Alvará de 18-01-1696, por deliberação estadual de 15-08-1891 e por deliberação estadual de 15-08-1891 e decreto estadual nº 1, de 08-05-1892 e nº 1-A, de 03-06-1892.

Pelo decreto estadual nº 1, de 08-05-1892, são criados os distritos de Barretos, Icaraí, São Domingos, São Lourenço e Jurujuba anexado ao município de Niterói.

Elevado à categoria de vila com a denominação de vila Real da Praia Grande, por alvará de 10-05-1819, desmembrado da cidade do Rio de janeiro. Sede na povoação de São Domingos da Praia Grande. Constituído do distrito sede. Instalado em 11-08-1819.

Elevado à categoria de capital do Estado, pela lei provincial nº 2, de 26-03-1835.

Recebeu foros de cidade com a denominação de Niterói, pela lei provincial nº 6, de 28-03-1835.

Pelo decreto estadual nº 124, de 22-09-1890, desmembra do município de Niterói as freguesias de São Gonçalo, Nossa Senhora da Conceição de Cordeiros e São Sebastião de Itaipu, para constituírem o novo município de São Gonçalo.

Deixou provisoriamente de ser Capital do Estado em decorrência das leis estaduais nºs 50, 30-01-1894 e 89, de 01-10-1894.

Voltando a ser capital do Estado, pela lei estadual nº. 542, de 04-08-1902, e reinstalada em 20-06-1895. Em divisão administrativa referente ao ano de 1911, o município de Niterói é constituído de 6 distritos: Niterói, São Domingos, Icaraí, São Lourenço, Barreto e Jurujuba.

Na divisão administrativa de 1933, apareceu constituído de 6 distritos: os 5 primeiros denominados Niterói, identificados apenas numericamente (1.°, 2.°, 3.°, 4.°, 5.°) e Jurujuba. Aqueles distritos voltaram a receber os topônimos anteriores

Em divisões territoriais datadas de 1936 e 1937, bem como no quadro anexo ao decreto-lei estadual nº 392-A, de 31-03-1938, o município de Niterói permanece como único termo judiciário da comarca de Niterói e se compõe do distrito sede, sub-dividido em 2 zonas: 1º zona 1º, 4º e 5º antigos distritos. ( 2º zona 3º, e 6º antigos distritos).

No quadro fixado para vigorar no período de 1939-1943, Niterói é constituído do distrito sede, sub-dividido, em 4 zonas denominadas 1º,2º,3º e 4º e é único termo judiciário da comarca de Niterói.

Pelo decreto-lei estadual nº 1056, de 31-12-1943, a área municipal ficou acrescida em virtude da anexação do distrito de Itaipu, desmembrado do município de São Gonçalo. Dessa data em diante, Niterói passou a ter dois distritos: Niterói com 2 zonas e seus bairros e Itaipu. Niterói é constituído de 2 distritos. Niterói e Itaipu.

Em divisão territorial datada de 1-VII-1960, o município de Niterói é constituído de 2 distritos: Niterói e Itaipu.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 31-XII-1968.

Por força do disposto da lei complementar nº 20, de 01-06-1974, o município de Niterói deixou de ser capital do estado.

Em "Síntese" de 31-Xll-1994, o município passou a ser constituído de 2 distritos: Niterói e Itaipu.

Através do Decreto nº 7928/98, de 06 de outubro de 1998, o prefeito Jorge Roberto Silveira, torna sem efeito qualquer indicação de divisão do município em distritos.

Assim permanecendo em divisão territorial datada de 2007.