Guerra de informação contra a FIFA continua

27/05/2015 17:57

A polícia suíça deteve nesta quarta-feira (27) o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, e outros oito dirigentes do futebol mundial por suspeita de abuso de poder, corrupção, fraude, extorsão e lavagem de dinheiro.

Sputnik

O incidente aconteceu na véspera do congresso de FIFA de 29 de maio, no qual será eleito o novo líder da organização.

© AP Photo/ Keystone, Steffen Schmidt

Logo da FIFA no QG da empresa em Zurique, na Suíça

As autoridades da Suíça declararam por sua vez, na quarta-feira (27), que tinha sido aberto um processo penal contra os altos funcionários da FIFA por suspeita de corrupção e suborno. O Gabinete do procurador-geral da Suíça também disse num comunicado que a polícia apreendeu documentos e dados durante as buscas na sede da FIFA em Zurique.

Vários especialistas opinam que a razão das ações judiciais contra a FIFA é o fato de que já há muito tempo que a mídia britânica, após a Federação de Futebol da Inglaterra, tenta persuadir a Rússia e o Qatar a admitir que estão envolvidos em um “jogo sujo” na escolha dos países-sedes do Mundial 2018 e 2022.

O Ministro dos Esportes da Rússia, Vitaly Mutko, destacou que as prisões não têm relação com as escolhas de Rússia e Qatar para sediar os próximos mundiais. O diretor do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2018, Aleksei Sorokin, está hospedado no mesmo hotel onde aconteceram as prisões e afirmou que não houve qualquer questionamento a respeito da delegação russa.

A mesma opinião foi expressa pelo diretor de Comunicação e Relações Públicas da FIFA, Walter De Gregorio, durante a videoconferência de imprensa ele declarou que a entidade não tem planos de mudar as sedes da Copa do Mundo de 2018 e 2022. “É bom para a FIFA, não é bom para a sua imagem, mas bom para a limpeza [da corrupção]”, disse.

As detenções foram realizadas a pedido do Departamento de Justiça norte-americano, que divulgou um comunicado informando que foram apresentadas 47 acusações em um tribunal no Brooklyn, em Nova York, por “organização mafiosa, fraude e lavagem de dinheiro, entre outros” nos últimos 20 anos. As investigações são conduzidas pelo FBI e o caso envolveria propinas de mais de US$ 100 milhões ligados a torneios de futebol nos EUA e na América Latina, segundo a justiça da Suíça.

É curioso saber que todas as pessoas detidas na operação da polícia suíça são da América Latina: o vice-presidente da comissão executiva e presidente da Concacaf, Jeffrey Webb, das Ilhas Cayman; o membro do comitê da vice-presidência executiva e ex-presidente da Conmebol, Eugenio Figueredo, do Uruguai; o ex-presidente da FIFA e ex-presidente da Concacaf, Jack Warner, de Trinidad e Tobago; o presidente da Federação Nicaraguense, Julio Rocha; o presidente da Federação da Costa Rica, Eduardo Li; o ex-presidente da Conmebol, Nicoláz Leoz, do Paraguai; o assessor da presidência da Concacaf, Costas Takkas, das Ilhas Cayman; e o presidente da Federação Venezuelana de Futebol, Rafael Esquivel.

O novo escândalo em torno da FIFA faz lembrar o dos anos 20013 e 2014, quando a escolha da Rússia e Qatar como países-sedes foi considerada ilegal e iniciada uma campanha para achar os culpados. Na altura, similar ao que acontece agora, a investigação foi apoiada por membros do Comitê Executivo da FIFA que, por meio de publicações de conversas de membros da organização na mídia britânica, tentaram descreditar os seus colegas no Comitê.

A investigação foi liderada pelo norte-americano Michael Garcia que durante 19 meses tentou encontrar falhas no processo de eleição dos países-sedes da Copa do Mundo. O seu trabalho foi expresso num relatório de 350 páginas, mas a FIFA publicou um relatório sucinto de 42 páginas, que considerou as eleições como legais. Logo após, Garcia se demitiu explicando a sua decisão pelo fato de que a parte publicada do relatório foi “incompleta e incorreta”.

Mas a guerra de informação contra o Comitê Executivo da FIFA parece que continua.

“A mídia britânica não irá parar com as tentativas de descreditar os resultados de eleições dos países-sedes dos Mundiais de Futebol de 2018 e 2022”, disse o presidente honorário da União de Futebol russo, Vyacheslav Koloskov. Ele fez a declaração ainda em dezembro de 2014, e parece que a pessoa que trabalhou no Comitê Executivo da FIFA por mais de 25 anos sabe do que está a falar:

“Todos os rumores de corrupção vem da mídia britânica. Isso acontece desde 2010, quando o Reino Unido falhou em sediar o Mundial, mas em quatro anos não foi apresentado um nome ou fato. Estou certo de que as tentativas de influenciar a opinião pública não vão parar mesmo agora, quando foram aprovados os prazos de realização do Mundial na Rússia. A meu ver, a FIFA já deveria parar há muito tempo de reagir a tudo isso.”

Segundo Koloskov, Joseph Blatter, que em 29 de maio será pela quinta vez candidato à presidência da FIFA, é a pessoa que pode desenvolver o futebol no mundo e conduzir a organização para a frente:

“A FIFA mantém-se na linha de frente, organiza muitíssimo bem todos os torneios. E estou certo que Blatter continuará a conduzir a organização para a frente e a trabalhar para o desenvolvimento do futebol em todo o mundo.”

O diretor de Comunicação e Relações Públicas da FIFA, Walter De Gregorio, afirmou na quarta-feira (27) que o presidente da entidade, Joseph Blatter, não é acusado no processo.

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