História do bairro Piratininga

05/08/2014 16:45

Piratininga é um dos bairros em que se divide a cidade de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil.

praia de piratininga - 1960Localiza-se no entorno da lagoa de mesmo nome, entre o oceano Atlântico, a serra Grande e o morro da Viração, limitando-se com os bairros niteroienses de Camboinhas, Itaipu, Cafubá, Charitas e Jurujuba.

O bairro, originado em parte da sesmaria doada a Cristóvão Monteiro, tinha na pesca a sua atividade mais marcante, tendo inclusive sediado uma colônia de pescadores na localidade conhecida como Tibau. O próprio nome do bairro, Piratininga, remete a essa atividade, pois é um termo tupi que significa "secagem de peixe". Com o surgimento das grandes fazendas na região, como a fazenda do Saco, pertencente aos padres jesuítas e a fazenda Piratininga, pertencente a Manuel de Frias e Vasconcelos, a área passou a produzir açúcar, aguardente e café, além de culturas de subsistência. Essa produção seguia, por terra ou mar, até a enseada de Jurujuba e, de lá, até a cidade do Rio de Janeiro.

Com o passar do tempo, o interesse pela área tornou-se crescente e, a partir da década de 1960, vários loteamentos surgiram. Durante o processo de nova configuração espacial do bairro, os posseiros sempre tiveram presença marcante, sendo, até hoje, motivo de impasse envolvendo as empresas imobiliárias, proprietários e o poder público. A área ao redor da lagoa de Piratininga é a de maior conflito e também a que reúne o maior contingente de população de baixa renda.

Desde a década de 1970, o bairro vem sendo ocupado por população de classe média, em virtude da melhoria das vias de acesso e da beleza do lugar: a praia, a lagoa, as ilhas, os costões e vegetação de restinga. Essa rápida ocupação já acabou com o extenso areal, com as pitangueiras e com os coqueiros que existiam.

Destacam-se, ainda, em seus limites, a praia do Imbuí e o forte D. Pedro II do Imbuí, cuja entrada principal dá-se através do bairro de Jurujuba e que fazia parte do sistema de defesa da entrada da baía de Guanabara.

Há cerca de quarenta anos, o navio Madalena, luxuoso transatlântico da Mala Real Inglesa, encerrando a sua viagem inaugural, chocou-se com uma das pedras Tijucas próximas à baía de Guanabara. Após o resgate dos passageiros, o navio soltou-se devido aos ventos e à maré. Na tentativa de salvá-lo, o navio partiu-se ao meio: uma parte afundou e a outra acabou encalhando nas areias da praia do Imbuí.

Conforme dados obtidos através do censo do IBGE/1991, o bairro de Piratininga tem registrado, nas últimas décadas, uma das maiores taxas médias de crescimento populacional de todo o município. As taxas registradas nos períodos 1970/1980 e 1980/1991 foram consideravelmente superiores às médias do município para os mesmos períodos. Na década de 1970, a taxa média de crescimento de Piratininga esteve em por volta de 4,83%, o que representava o 14º maior crescimento entre os bairros de Niterói, enquanto que o município, em sua totalidade, registrava 2,55%. Já no período 1980/1991, o bairro obteve uma aceleração no crescimento se comparado ao período anterior, marcando a taxa de 11,08%, passando a ser o terceiro maior crescimento entre os bairros. O crescimento desse período foi ainda mais significativo quando comparado à taxa média do município, que foi de 0,85%.

O bairro de Piratininga apresenta um total de 9 268 habitantes, o que corresponde a 2,12% do total do município.

A população é bastante equilibrada no que diz respeito a sua composição por sexo: os homens representam 49,18% da população, enquanto que as mulheres representam 50,82%.

A análise da distribuição populacional por grupos de idade demonstra um elevado número de crianças e jovens (entre zero e dezenove anos), que correspondem a 38,10% do total de habitantes do local. Outra faixa bastante significativa é a que se situa entre vinte e 44 anos (adultos), que corresponde a 41,08% do total da população.

A partir da faixa dos 45 anos, nota-se acentuada diminuição do número de habitantes nos grupos que se sucedem, ao ponto de a faixa correspondente aos idosos (sessenta anos em diante) somar apenas 7,77% da população do bairro.

Piratininga ocupa a 26ª posição no município no que diz respeito à taxa de alfabetização, com 88,93% de seus moradores alfabetizados. As faixas de idade mais jovens são as que apresentam as taxas mais elevadas.

Na situação de chefe de domicílio, Piratininga apresenta 82,46% de indivíduos do sexo masculino nesta categoria, enquanto 17,54% são do sexo feminino, sendo este o maior percentual de participação feminina na chefia domiciliar em toda a região Oceânica de Niterói.

No que se refere ao rendimento do chefe de domicílio, Piratininga apresenta-se de forma bastante heterogênea, percebida pela distribuição do rendimento médio, de forma mais significativa, nas seguintes classes: 31,98% do total ganham até dois salários mínimos; 28,73% entre cinco e quinze e 12,33% ganham mais de vinte salários mínimos.

O bairro de Piratininga possui 2 433 domicílios particulares permanentes, quase todos em casas isoladas ou de condomínio. Do total de domicílios particulares permanentes do local, 83,31% são próprios e apenas 6,54% são alugados, existindo, ainda, 10,15% sob outra forma de ocupação, entre os quais 236 são cedidos, provavelmente ocupados por caseiros.

Os domicílios do bairro de Piratininga apresentam características sanitárias que seguem o padrão predominante na região Oceânica, ou seja, a ausência de rede geral de água e esgoto.

Do total de domicílios do bairro, 96,42% obtém sua água através de poços ou nascentes.

Com relação à instalação sanitária, 73,28% dos domicílios possuem fossa séptica, enquanto 26,72%, que correspondem a 650 domicílios, utilizam outros tipos de escoadouro: 329 domicílios, a fossa rudimentar; 160 domicílios, a vala; 49 domicílios, outras formas não discriminadas ; cem domicílios não possuem nenhum tipo de instalação e, em doze domicílios, o entrevistado não soube informar.

A coleta de lixo alcança 84,96% dos domicílios. Do total, 10,64% têm, como fim, a queima no local e 4,40%, outras formas de coleta.

Piratininga tem assumido, no conjunto da região, um papel de destaque no que se refere principalmente à oferta de comércio e de serviços. O bairro possui um número significativo de supermercados, bares, restaurantes, lojas de materiais de construção, lojas de conveniência, agências de automóveis e outros, distribuídos ao longo de suas vias principais, ou ainda, concentrados em centros comerciais. Este fato, aliado à proximidade com as praias oceânicas, têm transformado o bairro num dos principais núcleos de lazer de todo o município. Destaca-se, ainda, como equipamento de lazer, o Iate Clube de Piratininga.

A localização espacial de Piratininga — "porta de entrada" da região Oceânica — é um elemento estratégico para o desenvolvimento do local. A antiga estrada Celso Peçanha, atual estrada Francisco da Cruz Nunes, a principal do bairro, é importante via de acesso aos outros bairros da região e às praias.

Quanto aos equipamentos públicos, encontramos no setor de educação a escola municipal Francisco Portugal Neves, que atende aos dois segmentos do ensino fundamental e a escola estadual Almirante Tamandaré, que atende ao primeiro segmento do ensino fundamental grau. O setor de saúde conta com duas unidades, sendo uma localizada próxima ao trevo de Piratininga e a outra, na localidade do Tibau.

lagoa de piratininga