João Sampaio

01/08/2014 12:43

João Carlos de Almeida Sampaio (Niterói, 24 de maio de 1941 — Niterói, 13 de agosto de 2011) foi um Político, Arquiteto, Urbanista e Professor da Universidade Federal Fluminense.

joao sampaioJoão possui um histórico de luta pela democracia e envolvimento com as causas populares. Iniciou sua trajetória política ainda no movimento estudantil, quando era militante ativo no diretório acadêmico de arquitetura da Universidade Federal Fluminense. Após concluir o curso, seguiu questionando sua realidade e propondo alternativas para o enfrentamento dos nossos problemas. Desta forma, adquiriu a visão estratégica para o gerenciamento de cidades, defendendendo sempre a democratização e a modernização das cidades de seu estado natal, o Rio de Janeiro.

João Sampaio participou ativamente da fundação do PDT em Niterói, logo depois do retorno de Leonel Brizola do exílio em 1979.

João tem um longo currículo de atuação na área do urbanismo, especialmente no lidar com a vida urbana e suas contradições. Nos anos 1960, trabalhou no Centro Interamericano de Habitação e Planejamento na Venezuela. Logo depois, foi chefe do Serviço de Habitação de Interesse Social do antigo BNH.

Nos anos 1970, foi titular de uma empresa de arquitetura e planejamento. Lá, coordenou diversos projetos urbanos para cidades importantes do Estado do Rio, como Volta Redonda, Barra Mansa, Nova Friburgo, Resende, Petrópolis, Nova Iguaçu e Niterói.

Em 1984, tornou-se consultor do Instituto Brasileiro de Administração Municipal (IBAM) para transportes, habitação, saneamento e planejamento. No mesmo ano, começou a lecionar na UFF. Em 1986, assumiu a Superintendência de Planejamento Urbano da Prefeitura do Rio de Janeiro, onde permaneceu até 1988.

A partir 1989, a convite do então prefeito Jorge Roberto Silveira, João Sampaio dirigiu a Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente de Niterói. Neste período, ele coordenou a elaboração do Plano Diretor, que junto com outros projetos urbanos transformaram radicalmente a fisionomia da cidade, aumentando a auto-estima dos niteroienses que passaram a viver numa cidade mais bela e acolhedora.

Em 1992, João Sampaio foi eleito prefeito de Niterói ainda no primeiro turno. Desenvolveu um governo marcado pela participação popular e por iniciativas que vieram a consolidar as transformações iniciadas no governo anterior. Foi em seu governo que Niterói conheceu o Museu de Arte Contemporânea (MAC), o Terminal João Goulart, a duplicação da Avenida Visconde de Rio Branco e dos acessos para Pendotiba e para a Região Oceânica, entre outras obras importantes.

Investiu em urbanização e equipamentos sociais nas favelas dando melhor qualidade de vida aos moradores. Foi João Sampaio quem tomou a iniciativa de rever o antigo contrato da prefeitura com a CEDAE. Graças à municipalização dos serviços de saneamento, hoje quase 100% da cidade está abastecida por água potável e 75% dos esgotos são coletados e tratados.

Por conta de seu ótimo desempenho, terminou o mandato com 86% de aprovação da população. No ano seguinte, passou a presidir o Conselho Executivo Municipal, responsável pelo planejamento estratégico do novo governo de Jorge Roberto Silveira. Este órgão foi alvo de profundas críticas por sua composição (com a totalidade de membros indicados pelo prefeito), alto número de membros e por todos eles receberem remuneração equivalente à de Secretários de governo, apesar de pouca clareza quanto às suas funções.

Em 1998, João Sampaio foi eleito deputado federal com mais de 80 mil votos. Em agosto de 1999, foi licenciado para exercer o cargo de Secretário de Programas Estratégicos para, em seguida, assumir a Secretaria de Cultura do Estado do Rio, retornando ao Congresso Nacional em fevereiro de 2000.

Presidiu a Comissão de Desenvolvimento Urbano na ocasião da criação do Estatuto das Cidades, lei federal que tornou-se um marco na democratização das gestões urbanas. Foi ainda vice-presidente da Comissão de Economia. Destacou-se nas propostas para o Sistema Nacional de Moradia Popular, para o Estatuto da Cidade e para a Política Nacional de Saneamento. Além disso, destinou mais de seis milhões de reais de recursos federais para Niterói e cidades fluminenses.

Em 2003, após o fim de seu mandato como deputado federal, João Sampaio retomou sua carreira como arquiteto e como professor universitário. Abriu seu próprio escritório de arquitetura, através do qual continuou a desenvolver projetos urbanos para diversas cidades.

Em 2011, tornou-se Subsecretário de Estado de Desenvolvimento Regional do Rio de Janeiro, função que exerceu até maio deste ano. De junho até seu falecimento, foi assessor especial do gabinete do secretário Felipe Peixoto, na secretaria de Desenvolvimento Regional do Estado do Rio de Janeiro.

Morreu na manhã de 13 de agosto de 2011, de insuficência cardiorespiratória, aos 70 anos. Sampaio sofria de câncer no pulmão.