Lagoa de Piratininga

05/08/2014 17:43

lagoa de piratiningaOs mais graves problemas ambientais do bairro estão relacionados com a sua lagoa. Primeira de uma seqüência de quinze lagoas que se estendem até município de Cabo Frio, a Lagoa de Piratininga sofre atualmente inúmeras formas de agressão, cujas origens remontam à abertura do Canal do Camboatá pelo DNOS (1946) ligando-a à vizinha Lagoa de Itaipu.

O Canal do Camboatá funcionou como elemento drenante da água da Lagoa de Piratininga, sobretudo após a abertura permanente da barra de Itaipu pela Veplan (1979), provocando um grande esvaziamento e, consequentemente, reduzindo o seu espelho d'água. Tais modificações causaram alterações drásticas no ecossistema da região, pois o reduzido volume d'água de Piratininga não mais permitia o rompimento periódico da barra da lagoa e a renovação das águas no seu interior, fator importante para a regulação do ciclo biológico.

A diminuição do volume d'água da lagoa e o conseqüente surgimento de áreas marginais secas, somados aos freqüentes aterros irregulares, vem reduzindo a sua extensão a cada dia, possibilitando o parcelamento e a ocupação do seu entorno. Por sua vez, esta ocupação desordenada e irregular sentenciou a fauna e a flora originais do local, sobretudo no que diz respeito às formações vegetais típicas de restinga, praticamente extintas de suas margens.

Outro grave problema que aflige a lagoa diz respeito à poluição causada pelo despejo do esgoto domiciliar sem tratamento em seu interior. Pela inexistência de uma rede de tratamento de esgotos em toda a Região Oceânica, as Lagoas de Piratininga e de Itaipu acabam transformando-se em grandes receptáculos de esgoto doméstico, situação esta que causa freqüentes mortandades de peixes.

Certamente é a população de antigos pescadores a que mais sofre as conseqüências dos efeitos da degradação da Lagoa de Piratininga, pois diversas espécies de crustáceos estão desaparecendo e o pescado está reduzido a níveis que não permitem a subsistência de suas famílias. Somente uma intervenção conjunta da sociedade e do poder público poderá resgatar um dos maiores patrimônios paisagísticos do município.