Maior reservatório de água do RJ atinge volume morto, diz ONS

22/01/2015 18:29

Nível do Rio Paraibuna caiu a zero nesta quarta e hidrelétrica foi desligada.
Outros três reservatórios abastecem o estado do Rio de Janeiro.

Marcelo Elizardo | G1 Rio

O nível do reservatório de Paraibuna – o maior de quatro que abastecem o estado do Rio de Janeiro – atingiu o volume morto nesta quarta-feira (21). De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a usina hidroelétrica - que é responsável por geração de energia e abastecimento de água - foi desligada após o nível atingir zero.

Reservatório de Paraibuna - Redenção da Serra | Foto: Ernesto Rodrigues - Folhapress

O estado do Rio é abastecido por quatro reservatórios de água: o Paraibuna, Santa Branca, Jaguari e Funil. Todos ficam dentro de hidroelétricas e armazenam água do Rio Paraíba do Sul – que passa por São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. De acordo com o boletim diário do ONS, o nível dos reservatórios de Santa Branca, Jaguari e Funil está em 0,65%, 2% e 4,15%, respectivamente.

Segundo o último boletim diário divulgado pela a Agência Nacional de Águas (Ana), o nível da bacia do Rio Paraíba do Sul - a média entre o volume dos quatro reservatórios - chegou a 1,22% na terça-feira (20). O informativo com os dados de quarta-feira (21) ainda não foram publicados.

Se comparado com anos anteriores, o atual nível da bacia do Rio Paraíba do Sul fica muito abaixo do comum. No boletim mensal de outubro de 2013, o volume médio dos reservatórios era de 48,2%. Em 2009, nível chegou a 80,8%.

O Rio Paraíba do Sul também abastece a capital e Região Metropolitana, através de uma transposição para o Rio Guandu – administrado pela Cedae – na altura do município de Barra do Piraí, no Sul Fluminense. A Secretaria de Estado de Ambiente ainda não se pronunciou sobre o caso.

No fim do ano, a Agência Nacional de Àguas (ANA) disse que já considerava autorizar a captação de água do volume morto dos reservatórios do Rio Paraíba do Sul. Ainda assim, a Cedae garantiu que o abastecimento na Região Metropolitana do Rio não vai ser afetado por essa medida. Segundo o presidente da Cedae, Wagner Victer não haverá racionamento no Rio.

Transposição Paraíba do Sul

Em meio à crise da falta d'água, os governadores de São Paulo,  Geraldo Alckmin (PSDB); do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB); e o então de Minas Gerais, Alberto Pinto Coelho (PP), fecharam um acordo no dia 27 no Supremo Tribunal Federal (STF) para dar início a obras de infraestrutura a fim de reduzir os efeitos da seca.

Pelo acordo, mediado pelo ministro do STF Luiz Fux, os três estados devem apresentar até 28 de fevereiro propostas para o enfrentamento da crise de falta d'água. Uma dessas propostas é a transposição do Rio Paraíba do Sul, cuja bacia abrange áreas dos três estados.

A transposição é um projeto do governo paulista que pretende desviar água do rio para abastecer o Sistema Cantareira, que enfrenta uma crise hídrica por conta da estiagem no Sudeste. O Rio de Janeiro era inicialmente contrario à obra porque a bacia do Paraíba do Sul abastece diversos municípios do estado, incluindo a região metropolitana da capital fluminense.

Os governadores e representantes dos órgãos responsáveis pelos estudos técnicos ambientais se comprometeram, no acordo assinado após a audiência, a não realizar obras sem o consentimento de todas as partes envolvidas. Os governadores se comprometeram a respeitar, nas obras, estudos de impacto ambiental e realizar ações de compensação ambiental.

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