Ministro nega epidemia de dengue e diz que país teve 'elevação' de casos

04/05/2015 16:06

Arthur Chioro, da Saúde, falou sobre o novo balanço da dengue nesta 2ª.
Ele disse que crise hídrica e falta de cuidados teriam provocado aumento.

Do G1, em São Paulo

arthur chioroO Ministro da saúde, Arthur Chioro, disse nesta segunda-feira (4) que o Brasil não vive uma situação de epidemia de dengue este ano, mas de "elevação" no total de casos, e que o maior número de ocorrências seria resultado da crise hídrica e do "desarmamento" de ações de combate à doença por parte da sociedade.

Segundo balanço divulgado mais cedo pelo ministério da Saúde, a incidência de notificações no país para cada grupo de 100 mil habitantes é de 367,8, índice que para a Organização Mundial da Saúde (OMS) representa situação de epidemia (a classificação mínima para este estágio é de 300/100 mil habitantes).

Chioro concedeu entrevista na cidade de São Paulo, horas depois de sua pasta divulgar que o Brasil registrou 745,9 mil ocorrências de dengue entre 1º de janeiro e 18 de abril deste ano.

O total é 234,2% maior em relação ao mesmo período do ano passado e 48,6% menor em comparação com 2013, quando na mesma época foram notificadas 1,4 milhão de ocorrências da doença.

“Em relação a 2014, nós temos elevação em praticamente todo o país. Mas quando a gente trabalha com conceito de epidemia, nós temos duas possibilidades: ou a gente vê a série histórica e a comparação por um longo período, uma série de eventos ano a ano que nos permite ver a incidência da doença, ou adotamos o parâmetro da OMS, que considera comportamento epidêmico quando o número de casos tem incidência de 300 casos para cada 100 mil habitantes”, disse Chioro.

Segundo o ministro, há estados no país com comportamento de epidemia, principalmente São Paulo, responsável por boa parte dos casos. Sete estados estão nessa situação: Acre (1064,8/100 mil), Tocantins (439,9/100 mil), Rio Grande do Norte (363,6/100 mil), São Paulo (911,9/100 mil), Paraná (362,8/100 mil), Mato Grosso do Sul (462,8/100 mil) e Goiás (968,9/100 mil).

O Sudeste tem a maior taxa de incidência entre todas as regiões do país, com 575,3/100 mil habitantes, seguido de Centro-Oeste (560,7 /100 mil), Nordeste 173,7/100 mil), Sul (159,8/100 mil) e Norte (156,6/100 mil).

Descuido

Chioro afirmou que a queda de casos de dengue em 2014 em relação a 2013 ajudou “de certa forma” a desarmar a mobilização da sociedade e algumas ações de prevenção à doença. No entanto, ele não culpa a população pelo aumento de casos. "Jamais colocaria a responsabilidade sobre a população. Lidamos com um problema muito complexo", disse.

Além disso, diz o ministro, as condições climáticas neste ano “favoreceram o início da epidemia antes do tempo”, já que, segundo ele, "houve um adiantamento que não sabemos se vai se comportar com um encerramento mais rápido”.

Outro ponto citado por Chioro é uma possível influência da crise hídrica no aumento dos casos da doença, já que, pela falta de água em algumas localidades, houve um maior armazenamento de água sem as devidas proteções.

"Agora que temos uma situação que não é favorável, não poderia me desresponsabilizar como autoridade sanitária máxima e quero compartilhar o desafio de controlar a dengue. Que a gente tenha em 2016 um verão mais protegido, com menos doenças, menos casos graves e menos óbitos, porque nós podemos fazer, mas trabalhando em 2015 todos juntos, sem atribuir à sociedade ou à uma esfera de governo a responsabilidade exclusiva pela doença", disse o ministro.

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