Passada crise com o COI, Paes diz que obras da Rio 2016 estão 'na mão'

04/01/2015 18:38

Segundo o prefeito, ao contrário da Copa, não há 'escândalos' nos Jogos.
Nos 450 anos, Paes lembra que Museu do Amanhã um dos 'presentes'.

Do G1 Rio

Faltando dois anos para o fim do seu segundo mandato, o prefeito Eduardo Paes começa 2015 com grandes desafios, entre eles a conclusão de obras de infraestrutura para a realização dos Jogos Olímpicos de 2016. Perguntado sobre prioridades e metas, ele afirma que não é possível citar apenas uma para uma cidade “complexa” como o Rio de Janeiro.

Eduardo Paes tem dois anos decisivos pela frente, com a comemoração dos 450 anos do Rio e as Olimpíadas de 2016 (Foto: Fábio Gonçalves/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

Eduardo Paes tem dois anos decisivos pela frente, com a comemoração dos 450 anos do Rio e as Olimpíadas de 2016 (Foto: Fábio Gonçalves/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)

À frente do poder executivo municipal desde 2009, Paes acompanha de perto os preparativos para as Olimpíadas e afirma, com segurança, que a crise com o Comitê Olímpico Internacional (COI) está superada. Em abril de 2014, o vice-presidente do COI, John Coates, chegou a afirmar que os preparativos para os Jogos Olímpicos eram os piores já vistos. No entanto, após a mais recente visita às instalações, os ânimos aparentemente foram acalmados. Em entrevista ao G1, o prefeito disse que o momento agora é outro e garantiu que todos os preparativos estão dentro do cronograma.

“Eu acho que tinha muito a ver como aquele momento, estávamos às vésperas da Copa e o estádio de abertura da Copa não estava pronto. Então, tinha um mau humor em relação à capacidade do Brasil de organizar, um processo de desconfiança muito grande. Somado a este fato tinha o problema em Deodoro [parque de competições] que, graças a Deus, já foi superado. Então, eu estou muito otimista. As coisas estão caminhando bem, mas não é um desafio fácil, são obras complexas, entregas difíceis. Mas eu diria que está tudo na mão”, afirmou.

O prefeito disse ainda que o envolvimento de construtoras responsáveis pelas obras das Olimpíadas na Operação Lava Jato (que apura esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, envolvendo a Petrobras) não afetou os projetos.

Quando o assunto é investimento público para a realização das Olimpíadas, Paes não gosta de fazer comparações entre os jogos e a Copa do Mundo – evento que gerou críticas e protestos em razão dos altos custos dos estádios. O prefeito fez questão de frisar que são realidades distintas.

“Lembra o que era um ano e meio antes da Copa do Mundo, o ambiente, e olha o que é um ano e meio antes das Olimpíadas. Não tem nenhum escândalo, nenhuma denúncia de superfaturamento, as obras estão no preço, a maior parte dos recursos vem de dinheiro privado, com PPPs, concessões”, disse.

Investimentos

Atualmente, segundo dados oficiais da Prefeitura do Rio, o orçamento da chamada “Matriz de Responsabilidades”, destinado a projetos exclusivamente associados aos jogos, como o Parque Olímpico, é de R$ 5,6 bilhões – R$ 4,18 bilhões da iniciativa privada e R$ 1,46 bilhão de investimento público. Para projetos de infraestrutura que ficarão como legado, como as obras de mobilidade urbana (BRTs, metrô, etc.), o orçamento é de R$ 24 bilhões, dos quais 43%, o equivalente a R$ 10,3 bilhões, são verba privada, através de Parcerias Público-Privadas (PPPs).

No total, o orçamento das Olimpíadas está em R$ 36,6 bilhões – valor que pode ser revisado. Questionado sobre o fato de o montante ser cerca de 30% maior do que o previsto na época da candidatura do Rio aos Jogos (cerca de R$ 28,5 bilhões), Eduardo Paes argumenta que o valor foi atualizado com base na inflação do período, e justifica ainda que foram incluídos, posteriormente, projetos de legado que não estavam previstos em 2009.

“O metrô, a Linha 4, por exemplo, não estava no custo da candidatura; o Porto não tinha revitalização da Zona Portuária inteira, não tinha a Transolímpica, não tinha a Transoeste, não tinha Transcarioca. Isso tudo são diferenças. A gente tinha 15 projetos de legado na candidatura, estamos entregando 27 projetos de legado”, afirmou Paes, acrescentando que “boa parte” das obras de mobilidade estarão prontas até 2016.

Baía de Guanabara: uma pedra no sapato

Um dos compromissos do Rio com o COI não deve ser cumprido a tempo para os jogos: a despoluição da Baía da Guanabara – uma responsabilidade do governo estadual. Em dezembro, atletas que participaram da Copa Brasil de Vela criticaram as condições da água e, alguns, chegaram a relatar mal-estar após as competições. Sobre o assunto, Paes afirmou que a prefeitura fez o que estava a seu alcance e, apesar das críticas, disse que está confiante de que as provas olímpicas transcorrerão sem problemas.

“Os investimentos estão sendo feitos e a gente tem muita confiança que as coisas vão estar adequadas. A gente acabou de realizar o evento-teste e foi muito bem-sucedido, em agosto. A despoluição é uma coisa que já não deu tempo há muito tempo, já era para estar pronta há muito tempo. É uma vergonha ter uma baía toda poluída. A despoluição da Baía de Guanabara é importante para a gente, não por causa da Olimpíada. A prefeitura tinha uma coisa a fazer em relação à Baía de Guanabara que era fechar [aterro sanitário] de Gramacho e nós fechamos Gramacho”, disse.

Rio sempre ‘fingiu’ segurança em eventos, diz prefeito

Com o projeto de pacificação em crise, tiroteios em comunidades com UPP e ataques a policiais se tornaram frequentes. A situação preocupa o prefeito, mas não em relação aos Jogos Olímpicos, frisa.

Eduardo Paes afirma que não tem dúvidas de que as competições serão realizadas sem problemas e acrescenta que o desafio é fazer segurança para a cidade no dia a dia.

“Me preocupo com isso [segurança] todo dia. Me preocupo até as Olimpíadas e depois das Olimpíadas. Acho que o tema da segurança pública é um tema permanente para a cidade do Rio. As Olimpíadas... o Rio já mostrou [que consegue], mesmo nos momentos mais violentos, Rio92, enfim. Fingir que fez segurança durante um evento, o Rio sempre fez. Acho que o desafio da pacificação é o desafio de sempre ter segurança para nós, não para visitantes, não para evento. Então, eu não tenho medo na Olimpíada, eu tenho medo todo dia, toda hora”, afirmou.

A exemplo do que ocorreu em outros grandes eventos, como a Jornada Mundial da Juventude e a Copa do Mundo, a segurança das Olimpíadas será coordenada por forças federais.

Em relação às críticas de moradores de comunidades pacificadas sobre a precariedade de serviços públicos, o prefeito cita investimentos da prefeitura no Rio+ Social (R$ 1,8 bilhão entre 2009 e 2014, segundo dados oficiais), mas ressalta que a falta de serviços “não justifica e nem pode ser desculpa para a criminalidade”.

“Eu discordo dessa visão preconceituosa de achar que só porque a pessoa não tem serviço e é mais pobre ela vira... vira um lugar de violência”, disse, citando como exemplo a Cidade de Deus, uma das primeiras comunidades pacificadas do Rio. “A Cidade de deus é um bairro popular, com pessoas humildes, trabalhadoras, mas com ruas, com praças, iluminada, com acesso a transporte, com escolas municipais. E não fui eu que fiz a maioria, não. A maioria já estava lá quando eu cheguei. O que falta ali é vergonha na cara para fazer segurança pública”, critica.

Rio450

No ano em que a cidade completa 450 “primaveras”, o prefeito diz que, além dos eventos – será um ano inteiro de comemorações (veja o calendário) que tiveram início no Réveillon –, importantes inaugurações ficarão como “presente” para a cidade, entre elas a do Museu do Amanhã. Com arquitetura concebida pelo espanhol Santiago Calatrava, o espaço será um dos símbolos do Porto Maravilha, projeto de revitalização da Zona Portuária.

Além disso, segundo a prefeitura, haverá a inauguração do túnel Rio450, um novo boulevard para pedestres na Avenida Rodrigues Alves, e a entrega da Igreja São Francisco da Prainha, após restauração.

Sobre suas aspirações políticas, Eduardo Paes é evasivo. “Meu sonho era ser prefeito do Rio. [Quando terminar o mandato] eu vou ter que fazer uma terapia”, diz, rindo. “Não penso nisso agora”.

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