Primeiro robô de telepresença do Brasil vira parte da rotina de hospital

03/11/2014 09:32

Há nove meses, o R1T1 traz cada vez mais utilidade em hospital no PR. 
Robô ajuda em consultas, brincadeiras e interação entre família e paciente.

Erick Gimenes | G1 PR, em Maringá

Há nove meses o primeiro robô de telepresença da América Latina distrai crianças doentes e  auxilia médicos em alguns procedimentos do Hospital Universitário de Maringá (HUM), no norte do Paraná. Um tanto íntimo da equipe, o R1T1 já caminha sem causar tanto espanto pelos corredores do hospital, onde, rotineiramente, distrai as crianças com várias brincadeiras e conecta famílias distantes a pacientes com internação prolongada.

Robô já não causa tanta estranheza nos corredores do hospital. (Foto: UEM/Divulgação)Robô já não causa tanta estranheza nos corredores do hospital. (Foto: UEM/Divulgação)

O projeto, do engenheiro e empresário Antônio Henrique Dianin, foi inspirado em um seriado americano — foi assistindo a Sheldon, personagem do The Big Bang Theory, montar um robô de telepresença que Dianin se mexeu para criar o dele. O primeiro protótipo do brasileiro tinha fios e placas expostos, canos comuns, e era apenas para uso pessoal do criador. "Era feio, mas me divertia", diz.

O robô, à época, serviu para o engenheiro se socializar. "Eu vivia viajando. Geralmente, eu estava com o computador na minha mesa. Isso era muito chato. Depois que eu criei o robô, eu era o centro das atenções. Falava com todo mundo. Podia ir de um lugar para o outro, trocar de tela quando acabava o assunto", lembra.

Hoje, a ideia da ficção muda a realidade de muita gente, garante o criador. "A humanização é algo muito gratificante. Na primeira atividade que a gente fez [uma família distante foi conectada a um paciente], você via todo mundo chorando — família de lá chorando, família daqui chorando, enfermeiros, médicos... todos chorando. Isso não tem preço, porque você causa uma aproximação entre as pessoas, no momento em que elas já estão fragilizadas, já estão dentro do hospital. Os pacientes nos agradecem muito por isso", diz Dianin.

No hospital, o R1T1 tem ganhado cada vez mais utilidade. Por meio da telepresença, são possíveis consultas a pacientes a distância, análises de diagnósticos por especialistas que vivem longe, aulas na universidade e interação com as crianças, por meio de brincadeiras lúdicas. O carinho dos pequenos pacientes pelo robô, aliás, também tem crescido bastante, segundo o idealizador.

"As crianças adoram. Existem até várias que querem vir para o hospital para conhecer o robô. Por outro lado, tem outras que não querem ir embora. Deveria ser o contrário, não? É algo inédito", comemora.

Hoje, cinco robôs iguais ao R1T1 já estão em uso, em outros locais do país. Dianin não revela onde, mas afirma que outros três estão prontos para ser implantados em outras empresas. Um deles está perto de ser usado em uma plataforma de extração petróleo da Petrobras, no estado do Rio de Janeiro — as negociações entre a estatal e o empresário já estão avançadas, segundo ele próprio.

O engenheiro diz sonhar com um grande projeto nacional, para que os robôs façam parte de todos os hospitais públicos brasileiros. Para ele, é possível se tornar referência mundial.

"Se a gente quiser, dá para fazer. Por quê a gente não pode ser o primeiro? Por que temos que ficar atrás dos outros países? O Brasil pode ser, sim, referência. O mercado é novo. Com incentivo e leis envolvendo a robótica, conseguimos vencer países como Japão ou Estados Unidos. Se o governo fizer uma parceria conosco, podemos entregar um robô por semana, com produção em escala. Em dois anos, todos os hospitais públicos teriam seu R1T1".

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