Programa de índio (moderno)

02/10/2015 17:42

Jogos Mundiais dos Povos Indígenas são baseados em competição local brasleira, existente desde 1996 e similar à “Mantchaari” russa.

MARIA AZÁLINA | GAZETA RUSSA

A primeira edição dos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, que ocorrerá em Palmas, Tocantins, de 23 de outubro a 1º de novembro, reunirá 2.200 representantes de 25 países, entre eles, Austrália, Japão, Noruega, Filipinas, China, Nova Zelândia, Congo e Mongólia.

Nativos de região rica em petróleo, úgri não virão aos jogos. Foto: Alexandr Piragis / RIA Nóvosti

A Rússia, que conta com uma enorme quantidade de etnias nativas em seu território, terá uma equipe composta por 36 esportistas. São representantes dos siberianos udegueits, buriat, evien, dolgan, tuvints e selkup, dos abazin do Cáucaso e dos nanaits do Extremo Oriente do país.

“Apoiamos esse movimento. As pessoas devem praticar não apenas os esportes olímpicos, pois no mundo há uma enorme diversidade cultural e étnica. Por isso, certamente levaremos as categorias esportivas da Iakútia, do extremo norte russo, da Kabardino-Balkária e de outras regiões do Cáucaso”, disse o vice-diretor do Centro Republicano de Esportes Nacionais, Mikhail Erchov, ainda em abril, quando esteve presente ao anúncio dos jogos na ONU.

Modalidades

Os esportes indígenas que compõem o evento se dividem em “tradicionais demonstrativos” e “nativos de integração”. Mas também haverá esportes ocidentais competitivos, como símbolo de unificação das etnias e povos indígenas. Corrida na areia, nado em águas abertas, arco e flecha, cabo de guerra, canoagem e arremesso de lança estão entre as modalidades disputadas. Paralelamente às competições, será realizado um festival de cultura e gastronomia dos povos indígenas.

“Todas as modalidades serão aproximadas o máximo possível das nativas. Por exemplo, a corrida de 100 metros ocorrerá na areia, a natação, em águas abertas, e o arco e flecha não utilizará instrumentos esportivos, mas fabricados pelos próprios competidores”, explica Erchov.

O evento foi elaborado com base nos Jogos dos Povos Indígenas, realizados no Brasil desde 1996, com a participação de mais de 20 grupos étnicos do país.

Particularidades russas

A Rússia também realiza competição semelhante, as “Spartaquiadas Mantchaari”, na região da Iakútia. Por isso, o país sentiu falta de esportes específicos de seus povos nativos no programa dos novos jogos mundiais, como as lutas khapssagai, da região russa da Iakútia, e a bukhe-barildaan, da Buriátia.

“Junto a colegas do Canadá, Estados Unidos, Nova Zelândia e Mongólia, pedi que modalidades esportivas nacionais de outros países fossem incluídas no programa dos jogos, mas os organizadores argumentaram que isso dificultaria a organização e haverá plena liberdade para apresentações desses em uma área especial”, disse Erchov.

Por falta de verba para a viagem, porém, algumas po-pulações indígenas russas não estarão representadas na primeira edição dos jogos.

É o caso dos úgri, da região setentrional russa de Khánti-Mansiisk. Apesar das riquezas naturais do local, que concentra 58% do petróleo extraído no país, os úgri não estarão presentes nos eventos em Palmas.

“Os úgri não irão aceitar o convite de participar dos jogos porque o departamento de esportes da Região Autônoma de Khánti-Mansiisk não fornece capital para tanto. O governo úgri também não considera a questão. Em reunião em Moscou, o ministro dos Esportes da Federação da Rússia deixou entender que não se pode confundir ‘povos nativos’ e ‘povos nativos em minoria’, por isso não considera razoável que cada região envie ao Brasil sua equipe”, disse o presidente da Federação dos Esportes Étnicos Úgri, Aleksêi Klauzer.

Tarefa homérica

Na organização do evento serão utilizados mais de 100 tradutores especialistas em línguas dos índios nativos da América Latina.

Além disso, a agência Prensa Latina noticiou que os jogos consumirão quase 20 milhões de dólares.

“Os Jogos Mundiais dos Povos Indígenas deixarão um grande legado. Vamos integrar Palmas à Rede Nacional de Treinamento, como vem ocorrendo com outras cidades, pegando o embalo da Copa do Mundo do ano passado e dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos do ano que vem. A ideia é que Palmas seja sede de outros eventos, tanto nacionais como internacionais”, afirmou o ministro dos esportes brasileiro, George Hilton, durante vistoria da vila olímpica ainda em julho.

“Esse acontecimento chamará a atenção do mundo à situação e aos problemas dos povos nativos do continente”, arremata o articulador dos direitos indígenas junto à ONU, Marcos Terena.

Para a organização do evento, foi criada a Secretaria Extraordinária dos Jogos Indígenas.

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