Rio pode perder três campi universitários

04/02/2015 11:43

Há três anos, o Ministério da Educação (MEC) disponibilizou verbas para erguer as unidades no Complexo do Alemão, em Jacarepaguá e no Centro

Correio do Brasil,  com ARN - do Rio de Janeiro

O Rio de Janeiro corre o risco de perder três campi universitários. A prefeitura não indicou terrenos para os novos polos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), de ensino técnico, cursos universitários e pós-graduação. Há três anos, o Ministério da Educação (MEC) disponibilizou verbas para erguer as unidades no Complexo do Alemão, em Jacarepaguá e no Centro. A prefeitura, no entanto, não indicou os terrenos.

Há três anos, o Ministério da Educação (MEC) disponibilizou verbas para erguer as unidades no Complexo do Alemão, em Jacarepaguá e no Centro

De acordo com o reitor do IFRJ, Paulo Roberto de Assis Passos, o acordo entre a prefeitura e o ministério se encerrou no ano passado e as verbas estão para ser recolhidas pela União. Sem a indicação clara de onde as unidades serão instaladas, não há como manter a previsão de gastos no orçamento. Assis Passos cobra uma definição urgente da prefeitura sobre os terrenos.

– O plano de expansão do instituto, onde estão enquadrados os campi do Rio de Janeiro, ia de 2011 a 2014. Então, este ano, o empenho da prefeitura deve ser maior ainda para que o MEC entenda que é uma ação efetiva e abra, de novo, espaço para concretizar essas unidades – explicou o reitor, em relação à manutenção, no orçamento da instituição, do dinheiro para erguer os campi. “Lembre-se que estamos em ano de contenção de gastos”, completou.

Em visita ao Rio de Janeiro, na semana passada, o ministro da Educação, Cid Gomes, prometeu conversar com a prefeitura para indicar as áreas. Lembrou que a construção das unidades tecnológicas no Complexo do Alemão, na zona norte, e na Cidade de Deus, na Zona Oeste, complementa o projeto de pacificação das forças de segurança. Nos dois complexos foram instaladas unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nos últimos anos.

O reitor da UFRJ acrescenta que, além do Complexo do Alemão e da Cidade de Deus, a prefeitura havia se comprometido a ceder o Centro de Artes Calouste Gulbenkian para a instalação da unidade do centro, mas também não concretizou o termo de compromisso. No local, atualmente, são oferecidas oficinas de artes plásticas, gráficas, cênicas e visuais, por exemplo.

A prefeitura informou que “está empenhada em ajudar o IFRJ, mas não tem terrenos nas especificações solicitadas”. Em nota, disse que vai procurar áreas “com outros entes da Federação”, mas não mencionou a cessão do Centro de Artes Calouste Gulbenkian.

A comunidade do Complexo de Alemão está inconformada com a justificativa. O coordenador-geral da organização não governamental Raízes em Movimento, que atua no Alemão, Alan Brum, diz que  galpões vazios na comunidade poderiam receber o campus. Ele lembra que o terreno originalmente oferecido para o IFRJ foi cedido à Coordenadoria de Polícia Pacificadora, que poderia ser deslocada para a Cidade da Polícia, que fica apenas a 2 quilômetros do Alemão.

– Temos aqui vários galpões gigantescos, desocupados, sem uso, como o da antiga fábrica da Tuffy, que poderiam receber o campus – citou Alan Brum. Para ele, uma das opções é a desapropriação de um deles. “A prefeitura já fez tanta desapropriação, inclusive sem diálogo com a comunidade, então, se ela quiser desapropriar, ela desapropria. A responsabilidade é dela”, afirmou.

Além da oferta de cursos profissionalizantes e universitários no local, a instalação do campus poderia mudar a vida da comunidade, acredita o coordenador. “A vinda de uma universidade pública para cá  causa impacto positivo em todas as outras políticas, como a de segurança, inclusive, que terá de melhorar, e o saneamento. O IFRJ se transformará em um observatório e contribuirá em todos os aspectos para o desenvolvimento local do Alemão”, explicou.

A ONG fez um abaixo-assinado para sensibilizar o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

Manifeste sua opinião

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário