USP e UFSCar desenvolvem sistemas que analisam e detectam as emoções

13/12/2014 10:25

Pesquisas realizadas em São Carlos, SP, unem tecnologia a sentimentos.
Aplicações já são utilizadas no tratamento de pacientes em Marília, SP.

Stefhanie Piovezan | G1 São Carlos e Araraquara

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos (SP), estão desenvolvendo sistemas capazes de captar e analisar emoções humanas e, na sequência, transmitir conselhos e alertas aos usuários.

Informações coletadas por relógio inteligente podem ajudar na interpretação do estado do usuário (Foto: Divulgação/Reinaldo Mizutani (ICMC))Dados de relógio inteligente ajudam a interpretar o estado do usuário (Foto: Divulgação/Reinaldo Mizutani)

“Na UFSCar, uma das aplicações que estão sendo desenvolvidas é um tocador de músicas que funciona a partir das emoções. Ele capta o estado emocional do ouvinte e reforça ou inverte esse quadro, quando indesejado, sugerindo diferentes músicas”, explicou a professora Vânia Paula de Almeida Neris.

Outra aplicação está sendo testada no Hospital Espírita de Marília, para motivar dependentes químicos e pessoas em depressão, evitando que desistam das terapias. “Percebemos que avaliar a reação desses pacientes é muito importante e estamos utilizando jogos para ajudar no tratamento”, disse. Também é possível usar a tecnologia para a medição dos níveis de estresse, com emissão de avisos em momentos de pico.

A captação do estado do usuário é feita por meio das ferramentas disponíveis em smartphones, como as câmeras e os gravadores de voz. Relógios inteligentes, os smartwatches, também estão sendo usados. “Nosso objetivo é estudar a interação entre humanos e máquinas. Coletar dados por meio de sensores e, com a análise, definir um espectro de resposta emocional”, resumiu Vânia.

Essa intenção, segundo ela, está relacionada ao “design persuasivo”, que propõe a mudança de comportamento dos usuários. “O design persuasivo começou com os jogos de guerra voltados para o recrutamento de soldados e agora estamos estudando essa área para proporcionar melhoria da qualidade de vida das pessoas”.

Histórico

“Nossa pesquisa com as respostas emocionais começou em 2010. A gente tinha a intenção de verificar como a tecnologia despertava emoções e percebemos que não dava para confiar apenas no auto-relato, em que a pessoa conta o que sentiu. Pensamos então em abordagens híbridas, com diferentes fontes de captação de dados.  E aí veio a parceria com o professor Jó Ueyama, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, que pesquisa sensores”, contou.

Com a dobradinha, vieram pesquisas como as de Vinícius Pereira Gonçalves, que atua no levantamento em Marília e, no mestrado, desenvolveu um trabalho junto a idosos. “Foi criada uma agenda telefônica que se adaptava às necessidades deles, com ampliação da tela e mudanças das cores, por exemplo. É o que chamamos de sistema flexível. O trabalho foi feito em parceria com a Prefeitura de São Carlos e mostrou como é importante considerar a emoção dos idosos em contato com a tecnologia. Ela foi motivadora para a infraestrutura de coleta e análise automáticas de dados que está sendo desenvolvida agora”, disse Vânia.

Méritos de Mario

Para que chegassem aos parâmetros característicos dos variados estados emocionais, os pesquisadores utilizaram diferentes experimentos, entre eles um com o famoso jogo Super Mario Bros. “Os jogos são altamente interativos e, por isso, a resposta emocional é mais evidente”, explicou a professora.

Estudantes foram monitorados, com expressões faciais filmadas e batimentos cardíacos acompanhados, enquanto disputavam o jogo. Os dados foram analisados por psicólogos e ajudaram a definir a classificação dos diferentes estados emocionais que é usada pelos sistemas para a interpretação do humor dos usuários.

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