Brasil não alcançará meta de erradicar hanseníase em 2015

22/01/2015 10:21

País registrou no ano passado quase 25 000 casos, de acordo com Ministério da Saúde

Veja

O Brasil registrou ano passado 24.612 casos novos de hanseníase, de acordo com dados preliminares divulgados nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde. O número, embora significativamente menor do que o registrado em 2013, quando 51.900 casos haviam sido identificados, indica que o país não conseguirá alcançar a meta de erradicar a doença, considerada endêmica em território nacional, até o fim deste ano, como havia sido divulgado em 2012.

Bactéria causadora da hanseníase

Bactéria causadora da hanseníase: doença é considerada endêmica no Brasil (World Health Organization/VEJA)

A coordenadora do Programa Nacional de Hanseníase, Rosa Castaglia, afirma que a taxa de prevalência da doença caiu 68% nos últimos dez anos, passando de 4,52 para 1,42 por 10.000 habitantes entre 2003 e 2013. Para tentar acelerar o ritmo de queda, o Ministério da Saúde lançou nesta quarta-feira uma campanha sobre a doença. O mote é "Hanseníase, quanto antes você descobrir, mais cedo vai se curar", uma tentativa de ampliar o diagnóstico precoce da doença e a divulgação de que o tratamento é gratuito e está disponível no Sistema Único de Saúde.

De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, embora a erradicação não seja alcançada até o fim do ano, o objetivo de eliminar a doença será mantido, agora, sem prazo. "O período de incubação [da hanseníase] é de cinco anos", disse o ministro.

Doença — A ocorrência da hanseníase no Brasil é irregular. Embora esteja presente em todas as unidades da federação, a doença tem grande concentração na Amazônia e em Estados do Nordeste. O campeão é o Mato Grosso, com 9,03 casos por cada 10 000 habitantes. Em seguida vem o Maranhão, com 5,29 casos por cada 10 000 habitantes. Pará, Tocantins e Pernambuco também apresentam índices considerados altos.

A hanseníase é uma doença infecciosa que atinge a pele e os nervos dos braços, mãos, pernas, pés, rosto, orelhas, olhos e nariz. O tempo entre o contágio e o aparecimento dos sintomas varia de dois a cinco anos. A doença faz aparecer manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo e em áreas da pele. Essas manchas trazem a sensação de formigamento, diminuição da sensibilidade ao calor, ao frio e ao toque.

Com Estadão Conteúdo

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