Cientista brasileira descobre novo método de fazer imagem quântica

23/09/2014 09:55

Pesquisa foi publicada na revista científica "Nature" no fim de agosto.
Brasileira Gabriela Barreto Lemos faz pós-doutorado em ótica quântica.

Do G1, em São Paulo

Uma câmera fotográfica capta a luz refletida pelos objetos fotografados. A obtenção da imagem de um objeto depende, portanto, de uma luz que chegue até ele. O que uma cientista brasileira descobriu, em um experimento conduzido na Academia Austríaca de Ciências, foi que é possível obter a imagem de um objeto a partir de fótons (partículas elementares da luz) que não tiveram qualquer interação com o objeto. A pesquisa foi publicada no fim de agosto na revista "Nature".

Para chegar a esse feito, Gabriela Barreto Lemos, que faz pós-doutorado na Áustria, e sua equipe usaram pares "gêmeos" de fótons. Cada "irmão" tem um comprimento de onda diferente, ou seja, eles têm cores diferentes, mas estão "entrelaçados", o que significa que mantêm as mesmas propriedades.

No experimento, os cientistas iluminaram um objeto com um dos fótons, com comprimento de onda que seria indetectável por uma câmera. Enquanto isso, o outro fóton que, não interagiu com o objeto, foi detectado pela câmera, formando a imagem com a qual seu irmão gêmeo havia interagido.

"Iluminamos o objeto com um dos fótons e em vez de coletar a imagem do fóton que interagiu com o objeto, detectamos a luz do outro fóton, o irmão daquele que interagiu com objeto", disse Gabriela, em entrevista à revista "Nature". "Por serem gêmeos, mesmo que estejam separados, eles continuam compartilhando informação e essa informação pode ser acessada pelos dois juntos ou por cada um deles separadamente."

É como se os dois fótons tivessem uma comunicação "telepática" entre si, em que eles pudessem saber o que o outro está iluminando mesmo estando separados fisicamente.

Imagens de gatos foram formadas por meio de um fóton que não interagiu com o objeto; irmão gêmeo de fóton é que atravessou papelão recortado na forma de gato (Foto:  Gabriela Barreto Lemos/Divulgação)

Imagens de gatos foram formadas por meio de um fóton que não interagiu com o objeto; irmão gêmeo de fóton é que atravessou papelão recortado na forma de gato (Foto: Gabriela Barreto Lemos/Divulgação)

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