Compreensão

14/10/2014 18:37

Por Luiz Maia

Observo sempre as pessoas com seus animaizinhos de estimação. Não importando o tamanho deles. E percebo que, mesmo com todo amor e devoção, a maioria das pessoas não é capaz de entender o que seu filhote está demonstrando.

Minha mãe, que completa hoje 81 anos de idade, tem um zoológico em casa. Hoje são 26 gatos, 8 cachorros, 5 tartarugas e 1 periquito. Isso porque alguns já se foram.

Tudo começou com uns pintinhos há muitos anos atrás. Eu era criança. Depois, surgiu um periquito, o Peri. Descobri que se tratava de um Brotogeris chiriri.

O Peri não voava. Mas viajava frequentemente conosco, de carro, uma Brasília bege, entre Niterói (RJ) e São Paulo. Ficava solto dentro do carro e fazia uma algazarra, literalmente, em alguns momentos. Mas era calmo na maior parte da viagem. Esse merece um capítulo a parte em minhas crônicas.

Depois, veio um gato viralatas, o Tico. Sabe aquele dono do pedaço; o Rei das ruas? Era ele quando chegou em casa. Posteriormente, vieram os gatos. Os muitos gatos. E começaram a surgir os cachorros.

Todo cachorro abandonado nas ruas, ou machucado, ou atropelado, ou queimado… enfim, vítima de maus-tratos, era deixado no portão de casa. E minha mãe colocava pra dentro e tratava deles. Os veterinários, coitados, desenganavam minha mãe. Dias depois, os bichos estavam fazendo a segurança do local, e de minha mãe. Veterinários inocentes… sabem de nada!

Uma dessas figurinhas queridas deixada no portão lá de casa foi a Bambina. Era filhote quando chegou. Recém nascida e abandonada. Fadada à morte. Trata-se de uma Dachshund. A famosa linguicinha.

bambina

Como toda baixinha, é invocada. Adora crianças. Adora ser acariciada e fazer carinhos. Adora ser o centro das atenções, apesar de não contar mais com essa regalia atualmente, pois divide o espaço com outros 7 “irmãos”. Não fica mais dentro de casa.

E ela adora minha mãe. Se você é um estranho e chega perto de minha mãe, cuidado! A fera vai te atacar antes de saber o que você quer. Por onde minha mãe anda, tem Bambina como sombra e segurança. Ela age exatamente como os seguranças do presidente dos EUA, acompanhando de perto os passos de sua amada e com a atenção voltada a tudo que as cerca, agindo antes que algo possa se aproximar de sua segurada.

Ainda assim, minha mãe, depois de tantos anos, não é capaz de compreender as atitudes de Bambina. Os latidos, que são um aviso de que ela está sob sua proteção, são encarados como uma chatice. A preocupação de Bambina com o portão aberto para minha mãe passar, faz com que ela tome uma posição de perscrutar a rua, sem o interesse de sair. Mas minha mãe não percebe isso, e fica bronqueando para que ela não saia. A latição infernal quando minha mãe chega em casa, natural demonstração de felicidade, é irritante e condenada com mais admoestações contra Bambina, e os outros.

As pessoas, mesmo com a convivência diária, não conseguem compreender as ações e latidos de seus filhotes. Para tanto, basta prestar atenção no que eles fazem em determinadas situações. Perceberão que os comportamentos são repetitivos. Quase sempre os mesmos naquela mesma situação.

Na próxima vez em que seu cãozinho latir, antes de brigar com ele, perceba a situação em volta. Perceba o que está acontecendo. E, como é comum, se o latido for de aviso aos navegantes para que não se aproximem sem serem anunciados, agradeça ao seu filhote pela atitude, confirme a ele que você entendeu o aviso, e peça gentilmente para que pare de latir.

Você vai perceber que, ao agradecer, com o tempo, não precisará pedir para que seu segurança não lata. Ele vai entender o recado e parar por si só de latir.

Compreensão é do que todos nós precisamos.

Manifeste sua opinião sobre essa matéria

Nenhum comentário encontrado.

Novo comentário