Conheça os desafios dos primeiros carros elétricos no Brasil

11/08/2014 17:54

Olhar Digital

Ainda que timidamente (nós vamos explicar por que), alguns carros elétricos já estão circulando pelas ruas do Brasil. O que é realidade em países como Japão, Estados Unidos e, principalmente, na China, ainda é um desafio enorme e, para alguns – praticamente impossível – para o nosso país.

Recentemente, a americana Tesla Motors anunciou a liberação de sua tecnologia patenteada em veículos elétricos. Segundo a empresa, a iniciativa é um incentivo à inovação e um estímulo no desenvolvimento de carros elétricos por todas as montadoras. Elon Musk, CEO da empresa, disse que a decisão inclui todas as patentes. Para ele, toda a indústria vai se beneficiar do compartilhamento de tecnologias de código aberto.

Indo um pouquinho mais longe, quando compararmos Brasil e China, vemos duas realidades completamente opostas. Como parte da estratégia chinesa para combater os altos níveis de poluição em suas grandes cidades, o governo se esforça para incentivar cada vez mais os carros elétricos; a primeira medida foi isentar os elétricos e híbridos de impostos sobre compra até 2017. Atualmente, existem mais de 70 mil veículos elétricos em uso na China. Para 2020, a expectativa é aumentar esse número para cinco milhões de unidades. Mais do que isso, nos últimos anos o país vem expandindo rapidamente sua rede de carregamento para o uso do carro elétrico.

Voltando os olhos para o Brasil, os incentivos e esforços da China se tornam gigantescos obstáculos por aqui: primeiro, com a questão de infraestrutura energética para abastecimento desses veículos e, segundo, com os altíssimos impostos que esses modelos pagam no nosso país.

Como grande produtor de Etanol, no Brasil o incentivo ao álcool é, de alguma forma, um fator de desfavorece a tecnologia dos carros elétricos. Além disso tem outro problema. Principalmente em tempos de estiagem como os atuais, grandes cidades brasileiras correm o risco de enfrentar problemas com o abastecimento de energia: grande parte da eletricidade hoje já vem das termoelétricas, e fica difícil imaginar de onde o país tiraria energia para abastecer uma grande frota de carros elétricos.

A frota de carros elétricos no Brasil ainda não chega a 500 unidades licenciadas, segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores. Apesar de estar longe de representar sequer 1% da frota nacional, o número de elétricos praticaticamente quadruplicou entre 2012 e 2013.

Com toda dificuldade, há ações de teste com veículos elétricos no Brasil. Em Curitiba e Brasília, os Correios fazem testes com dois carros elétricos em cada cidade.

Em São Paulo, um projeto da prefeitura sugeriu o uso de veículos elétricos para testes na maior metrópole do país.

Nos dois primeiros anos de uso do elétrico, o principal benefício que esta empresa de táxis observou foi que o carro não precisou parar sequer uma vez para manutenção; mesmo depois de 40 mil quilômetros rodados.

Outra ponto positivo no uso do táxi 100% elétrico foi – é claro – a economia com combustível. Por outro lado, a falta de postos de abastecimento e a autonomia de pouco mais de 100 quilômetros por carga complicou um pouco as coisas.

O carregamento normal do carro pode ser feito em uma tomada de 220 volts, mas como o Nunes acabou de dizer, leva tempo… quase seis horas para uma carga completa. Já a carga rápida depende de uma infraestrutura diferenciada para criar uma tomada com mais de 600 volts – mas aí a gente volta àquela questão de toda dificuldade do país para gerar tanta energia.

Por último, se a tomada de casa pudesse mesmo resolver o problema energético, o que mais prejudica a adoção de um carro elétrico no Brasil são os impostos. Um táxi como este do Nunes sai por 220 mil reais… é brincadeira?

Para a empresa, nem toda a economia com manutenção e combustível justificaria tamanho investimento.

Por enquanto, e provavelmente por mais um bom tempo, esta é a realidade do carro elétrico no Brasil. E você, o que acha de toda essa história? Acredita que um dia possamos ter uma frota 100% elétrica no país? Será que a gente chega lá? Participe e deixe seu comentário. 

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