Epidemia do ebola na África Ocidental está fora de controle

02/07/2014 18:53

Ebola já infectou 759 pessoas e provocou a morte de 467 neste ano.
O vírus mata até 90% dos pacientes e se espalhou por três países da África.

Jornal Hoje

A epidemia do ebola está preocupando os moradores da África. A epidemia atual é a mais grave desde 1976, quando o vírus foi descoberto. Só este ano, o ebola já infectou 759 pessoas e provocou a morte de 467. O vírus mata até 90% dos pacientes e desta vez já se espalhou por três países da África.

A epidemia está fora de controle, segundo a organização humanitária Médicos Sem Fronteira. Há pacientes infectados em mais de 60 localidades em Serra Leoa, na Libéria e na Guiné, incluindo a capital Conacri.

O médico Paulo Reis é um dos 300 profissionais que atuam no combate ao ebola. Ele acredita que a proliferação do vírus para outras áreas da África é inevitável. Uma das razões é a falta de informação. As pessoas não têm ideia da gravidade da doença. “A população desconfia muito. Se você vai a uma vila isolada, às vezes eles nem te recebem. Precisa ter gente doente, pessoa morrendo para que a comunidade comece a aceitar”.

O vírus mata de quatro a dez dias e não há vacina. A doença provoca febre, dores de cabeça, nos músculos e fraqueza. Por isso é facilmente confundida com qualquer outra virose, o que dificulta a identificação até pelas equipes de saúde.

A transmissão é pelo contato com secreções do corpo. A qualquer sinal de febre o paciente tem que ficar isolado. Médicos, enfermeiros e todos que circulam pela área onde ficam essas pessoas precisam se proteger.

“É uma roupa descartável, de material sintético, totalmente impermeável. Inclusive com veda no zíper. É um capuz, máscara, duas luvas, óculos e um avental, que vem por cima de tudo. A roupa não deixa escapar suor. A roupa é vedada. A roupa hospitalar que você usa por baixo fica completamente encharcada quando você sai de lá em um dia quente”, relata o médico.

O desgaste físico e psicológico é tamanho que as equipes passam, no máximo, dois meses em áreas infectadas. Os médicos sabem que a maioria dos pacientes morre, mas cada vida salva é uma vitória e um estímulo.

Combate

Ministros da saúde de onze países da África estão reunidos para discutir a epidemia no continente. Os países africanos querem fortalecer a cooperação regional para evitar que o ebola se espalhe ainda mais. A Organização Mundial da Saúde já considera esse o pior surto da doença.

Por enquanto, só há casos conhecidos em Serra Leoa, Guiné e Libéria, mas a OMS alerta que outros quatro países do oeste da África – Costa do Marfim, Senegal, Mali e Guiné-Bissau – precisam se preparar para a possibilidade de receber viajantes infectados.

Um dos descobridores do vírus disse que uma das formas mais eficientes de combater a epidemia é a informação. É preciso falar sobre a doença e aprender como evitá-la. O ebola é um dos vírus mais fatais do mundo.

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