História da Ponta D`Areia

25/07/2014 16:37

Localizado na Península da Armação, a Ponta D`Areia tem a sua história vinculada às águas da Baía de Guanabara. Ela limita-se com os bairros do Centro e de Santana.

A Península da Armação, desde os primórdios da colonização, contribuiu de maneira relevante para a economia nacional. No livro de Jorge Caldeira sobre Irineu Evangelista de Souza, o Barão e depois Visconde de Mauá, a Ponta D`Areia tem um papel destacado. Como registra também Barbosa Lima Sobrinho no "Jornal do Brasil": ...nas oficinas da Ponta de Areia.... O futuro Visconde de Mauá dera um grande alento à indústria de construção naval brasileira".

O nome Armação está relacionado à pesca ("armar" os barcos) e ao esquartejamento de baleias, já que a península foi importante porto baleeiro. A vocação industrial veio depois e ainda hoje funcionam lá oficinas de material bélico da Marinha e estaleiros.

Após as obras de urbanização da Vila Real, ordenaram-se os acessos à Armação e Ponta D`Areia, agilizando a ligação com o Centro da cidade.

No século passado, no estaleiro que funcionava lá, construíam-se barcos a vapor, caldeiras e peças fundidas em ferro. Posteriormente, na época de Irineu Evangelista de Sousa, Barão e Visconde de Mauá, a indústria diversificou-se e passou a produzir vários equipamentos, alguns incluídos no Catálogo de Produtos Industriais da Exposição Nacional de 1861 e mais tarde enviados à Exposição Universal, em Londres.

Mauá, um empreendedor, chegou a empregar mil operários que construiram vários navios, entre eles o "Marquês de Olinda". Com a mudança da política econômica que facilitou a entrada de produtos estrangeiros, veio a falência. Mauá, precursor da industrialização brasileira, é nome de rua e do estaleiro sediado na Ponta D`Areia.

Outra empresa que marcou época na economia fluminense foi a Companhia de Comércio e Navegação, de Pereira Carneiro e Cia. Ltda., também estabelecida na Ponta D`Areia. Ela possuía importante frota de cabotagem e negociava com sal e grandes armazéns gerais. Foi desta companhia o dique Lahmeyer, o mais sólido do mundo por ter sido cavado em rocha e que durante muito tempo foi o maior da América do Sul. O dique era usado para manutenção da frota e também atendia a outras empresas. O Conde Pereira Carneiro, principal acionista da Companhia de Comércio e Navegação, também construiu a vila que leva o seu nome existente até hoje. A vila operária foi criada com fins sociais - casas higiênicas com aluguel módico, escola e até uma capela - para os empregados da empresa.

Em 1893 a Ponta da Armação entrou definitivamente para a história quando tropas amotinadas contra o governo do Presidente Floriano Peixoto, comandadas por Custódio de Melo, apoderam-se de toda munição existente no então Laboratório Pirotécnico da Marinha — que funcionava lá. Apesar do revés inicial, tropas fiéis ao Presidente resistiram em vários pontos da cidade até a vitória. Niterói passou a ser denominada "Cidade Invicta" por alguns historiadores.