No AP, 21 casos suspeitos de febre chikungunya são registrados

19/09/2014 09:05

Primeiros casos internos do país foram registrados no estado.
Secretaria de Saúde monta plano de contingência para vírus.

Cassio Albuquerque | G1 AP

Após o primeiro caso interno de febre chikungunya confirmado no Amapá, outras 21 pessoas estão com suspeita de estarem com a doença, segundo informou a Coordenadoria de Vigilância em Saúde no Amapá (CVS). De acordo com o órgão, são 10 casos em Macapá e 11 em Oiapoque, distante 590 quilômetros da capital.

O titular da secretaria de estado de Saúde (Sesa), Jardel Nunes, alertou sobre a possibilidade de um surto da doença em Oiapoque, em razão da proximidade com a Guiana Francesa, país onde há registro de mortes causadas pela doença e por onde o vírus chegou ao Brasil. Um plano de contingência está sendo realizado no município, onde foi montada uma barreira sanitária na área de fronteira.

"Nesse período eleitoral há um tráfego intenso de pessoas que vêm do extremo-norte do estado para outros municípios. Essa é a nossa maior preocupação, pois esse vírus já pode ter se propagado para outras áreas", declarou o secretário.

Em Macapá, a Divisão Epidemiológica Municipal iniciou nesta quinta-feira (18) o serviço de fumacê que será realizado em diversos bairros para matar o mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, que também causa a dengue.

O primeiro local escolhido para realizar a ação foi o Distrito de Fazendinha. De acordo com a divisão, o homem de 59 anos que contraiu o vírus esteve no local após vir de Oiapoque. A ação também vai se estender por outros sete bairros da capital.

"São nessas áreas que foram mapeados os casos suspeitos na capital. Cinco exames dos 10 casos suspeitos ainda aguardam resultado do exame que foi feito no Instituto Evandro Chagas [IEC] e estamos fazendo o monitoramento dos demais casos", disse a chefe da divisão municipal Marluce Chermont.

Registros

Os primeiros casos internos da doença no país foram registradas pelo Ministério da Saúde no município de Oiapoque, no extremo-norte do Amapá na terça-feira (16). As vítimas foram uma professora, de 31 anos, e o pai dela, de 59 anos.

Priscila Cordovil, de 31 anos, relatou que ficou por uma semana sem andar por causa dos sintomas da febre chikungunya. Além da doença, a professora também contraiu dengue, segundo apontou os exames feitos pelo IEC, em Belém, no Pará.

"Os sintomas são parecidos com os da dengue que são febre, dor de cabeça e no corpo e coceira. Também senti dores nas articulações que me impossibilitou de andar por uma semana. Hoje eu não sinto mais nada", contou a professora por telefone à TV Amapá. Atualmente Priscila faz fisioterapia para ajudar na recuperaração dos movimentos da perna", contou a Priscila.

Até agosto de 2014, dois casos importados da doença foram confirmados no Amapá. Em todos os registros, os pacientes vieram com os sintomas da Guiana Francesa e Guadalupe, países onde moram.

Medidas

O Ministério da Saúde afirmou que está preparando uma série de medidas de conscientização para evitar a disseminação da doença e adiantou a expansão do Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), aumentanto de 1,8 mil municípios para 2 mil cidades o mapeamento da presença do mosquito transmissor da dengue e chikungunya.

A doença

O vírus chikungunya foi identificado pela primeira vez entre 1952 e 1953, durante uma epidemia na Tanzânia. Mas casos parecidos com essa infecção – com febres e dores nas articulações – já haviam sido relatados em 1770. O agente transmissor é o mosquito Aedes aegypti, mesmo causador da dengue, e aedes albopictus.

Quais são os sintomas?

Entre quatro e oito dias após a picada do mosquito infectado, o paciente apresenta febre repentina acompanhada de dores nas articulações. Outros sintomas, como dor de cabeça, dor muscular, náusea e manchas avermelhadas na pele, fazem com que o quadro seja parecido com o da dengue. A principal diferença são as intensas dores articulares.

Tem tratamento?

Não há um tratamento capaz de curar a infecção, nem vacinas voltadas para preveni-la. O tratamento é paliativo, com uso de antipiréticos e analgésicos para aliviar os sintomas. Se as dores articulares permanecerem por muito tempo e forem dolorosas demais, uma opção terapêutica é o uso de corticoides.

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