Presidente da Volkswagen renuncia após escândalo de manipulação nos EUA

24/09/2015 09:05

EFE

O presidente da Volkswagen, Martin Winterkorn, renunciou nesta quarta-feira ao cargo pelo escândalo de manipulação das emissões de gases poluentes nos veículos a diesel nos estados Unidos, informou a empresa alemã.

Winterkorn, cujo contrato terminaria no final de 2016, insistiu queo processo de esclarecimento e de transparência deve continuar.

© Foto: Tobias Schwarz/AFP Winterkorn, cujo contrato terminaria no final de 2016, insistiu queo processo de esclarecimento e de transparência deve continuar. 

Winterkorn apresentou sua demissão após uma reunião do conselho de supervisão para discutir a crise, que afetou 11 milhões de veículos.

"A Volkswagen precisa de um novo começo, também em termos pessoais. Com minha renúncia deixo o caminho livre", disse Winterkorn.

"Estou impressionado com os eventos dos últimos dias, sobretudo, estou chocado de uma conduta errada nesta escala ter sido possível no grupo Volkswagen", disse Winterkorn.

"Admito como presidente a responsabilidade pelas irregularidades encontradas nos motores a diesel, e por isso pedi ao comitê de supervisão que chegue a um acordo para encerrar minha função como presidente do consórcio", disse.

"Faço-o em interesse da empresa, mesmo sendo consciente que eu não fiz nada de errado", assinalou Winterkorn em sua renúncia.

O conselho de supervisão da VW, órgão supervisor típico das empresas alemãs, garantiu que Winterkorn não sabia nada destas manipulações.

Winterkorn, cujo contrato terminaria no final de 2016, insistiu queo processo de esclarecimento e de transparência deve continuar.

"Esta é a única forma de ganhar confiança. Estou convencido que o grupo Volkswagen e sua equipe superarão esta grave crise", assinalou.

O conselho de supervisão da Volkswagen, no qual o estado federado da Baixa Saxônia tem uma participação do 20%, se reunirá de novo na sexta-feira e não deve tomar até lá uma decisão sobre o substituto de Winterkorn.

Após a reunião de urgência, o conselho disse estar consciente do prejuízo econômico e "da perda de confiança de muitos clientes no mundo todo", e não descartou novas renúncias.

A Volkswagen assinalou que colaborará com a investigação da promotoria e criará uma comissão especial para explicar o ocorrido.

A Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) detectou uma manipulação nos testes de certidão dos veículos a diesel da Volkswagen através de um software, que disfarçava a emissão de gases poluentes até 40 vezes mais do que o permitido

A empresa alemã, que no primeiro semestre deste ano assumiu o posto de primeiro fabricante automobilístico do mundo, instalou um software nos modelos com o motor diesel EA 189 (2.0 TDI) que detecta quando o veículo está sendo examinado e frauda as medições de gases poluentes para cumprir com as normativas federais e estaduais dos EUA.

A Volkswagen reconheceu ter manipulado os dados das emissões de poluentes de vários dos modelos a diesel que comercializa nos EUA, e por isso pode ser punida com uma multa de US$ 18 bilhões.

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