Venda de veículos cai 7,56% no semestre, diz Fenabrave

02/07/2014 19:53

Em junho, queda foi de 17,27%, na comparação anual com 2013.
Para carros, foi o pior 1º semestre desde 2010; para motos, desde 2006.

Darlan Alvarenga | G1

São Paulo - As vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus caíram 7,56% no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2013. O setor somou 1.662.903 unidades emplacadas de janeiro a junho, informou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) nesta quarta-feira (2).

“Voltamos a 2010 em termos de volume de vendas, esse é o tamanho do impacto”, destacou Meneghetti, explicando que, para automóveis e comerciais leves (SUVs, picapes e furgões), este foi o pior 1º semestre dos últimos quatro anos. Para caminhões, o pior dos últimos cinco anos e, para motos, o pior dos últimos oito anos.

Em junho, os emplacamentos de carros, caminhões e ônibus foram 17,27% menores que no mesmo mês do ano passado. Foram comercializados 263.593 veículos, incluindo caminhões e ônibus. Na comparação com as vendas de maio, o recuo foi de 10,15%.

Contadas à parte, as vendas de motos somaram 103.869 unidades no mês passado, uma queda de 18,03% na comparação com maio e de 16,91% ante junho de 2013. No acumulado do ano, o recuo é de 4,08% frente a 2013, com 717.728 vendidas.

"Nossa expectativa para o ano não está acontecendo como a gente previa", destacou o presidente da Fenabrave, Flávio Meneghetti. "Imaginamos que, somados junho e julho, vamos perder praticamente um mês de trabalho", avaliou.

IPI menor e 'efeito Copa'

Segundo a federação, a forte queda no mês passado foi impactada, sobretudo, pelo baixo crédito, comprometimento de renda das famílias e pelo "efeito Copa do Mundo".

"Imaginávamos que a Copa iria afetar o mercado, mas não tão tragicamente. Até jogo da África foi motivo para se ficar em frente da televisão", disse Meneghetti.

Dois dias antes da divulgação do balanço da Fenabrave, o governo federal anunciou a manutenção do desconto no Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros, que poderia ser reduzido ou mesmo terminar ainda em julho. Agora, as alíquotas atuais valerão até dezembro, na tentativa de evitar uma queda ainda maior nas vendas.

Para o presidente da federação, a medida "contribui para não piorar o quadro", mas diz que não há muito o que comemorar ou esperar dela, a não ser um segundo semestre melhor que o primeiro. "A média mensal do segundo semestre deve superar a do primeiro semestre em 5%", avaliou Meneghetti. "Se tivesse a reposição total agora [da alíquota cheia de IPI], seria um repasse de preços que o mercado não teria condições de absorver. A queda poderia ultrapassar de 10%", estimou.

Queda no ano deve ser maior que a prevista

Mesmo assim, a Fenabrave revisou para baixo a previsão para o fechamento do ano. A entidade projeta agora queda de 8,08% das vendas de veículos em 2014, incluindo caminhões e ônibus, ante previsão anterior de recuo de 3,24%.

Pelas projeções da federação, o segmento de comerciais leves (SUVs, picapes e furgões) deverá ser o único a terminar o ano com crescimento na comparação com 2013, com alta prevista de 1,5%.

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