Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense (OSN-UFF)

A Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense (OSN-UFF) é uma orquestra sinfônica brasileira, fundada em 1961 pelo então presidente Juscelino Kubitschek , com o intuito de difundir a música brasileira de concerto. Durante 20 anos esteve ligada à Rádio MEC, e desde 1984 integra a Universidade Federal Fluminense(UFF). É a única orquestra profissional mantida pelo Governo Federal. Apesar de existirem outras orquestras públicas no Brasil - estaduais, municipais – a OSN-UFF é a única que pertence à esfera federal.

Após uma serenata oferecida a Juscelino Kubitschek em 1959, nasceu a idéia de criar uma Orquestra Sinfônica. Dois anos mais tarde, a 12 de janeiro de 1961 o sonho se realizou quando, através da assinatura de JK, nascia a Orquestra Sinfônica Nacional. Composta inicialmente por músicos da orquestra da Rádio Nacional e alguns dos melhores músicos vindos da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e Orquestra Sinfônica Brasileira, que passaram a integrar o Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação, outros músicos vieram a integrar os seus naipes, selecionados por concurso público.

Durante a década de 1960, seguindo o exemplo das orquestras europeias, como a da BBC de Londres e a Bayerische Rundfunk de Munique, atuou no Sistema Nacional de Radiodifusão Educativa para divulgar a música brasileira e música contemporânea, ambas minoritárias na programação das demais orquestras do país na época. O primeiro maestro a reger a OSN, na ocasião da sua criação havia sido um grande nome da composição brasileira: Francisco Mignone, outro grande nome da composição brasileira, César Guerra-Peixe foi violinista da OSN de 1962 até sua aposentadoria. Em sua primeira década de existência, a OSN foi marcada por intensa atividade, os concertos se notabilizaram por projetar artistas e compositores que, ao longo do século XX, vieram a consolidar sua importância e grandeza. Alceo Bocchino foi um dos fundadores da OSN e regente titular por treze anos. Edino Krieger, regente assistente.

Através da Rádio MEC, a OSN atingiu um público diversificado, de todas as classes sociais, gravando obras de Villa-Lobos, Guerra-Peixe, Francisco Mignone, Radamés Gnatalli, Cláudio Santoro, Carlos Gomes e muitos outros mestres brasileiros, beneficiando assim não somente o público do rádio como o presente às salas de concertos, como a Sala Cecília Meireles e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. A OSN legou extensa produção de registros fonográficos, que chegam a 2.270 obras de autores eruditos estrangeiros e brasileiros. Nos arquivos da Rádio MEC, existem registros de gravações de 101 obras de autores brasileiros, com a participação de importantes solistas como Nelson Freire e Jean-Pierre Rampal, entre outros, no período de 1961 a 1972. Assim, a Orquestra Sinfônica Nacional assumia o papel de difusora da música e cultura brasileiras para toda a população, e até a década de 1980 viria a realizar mais de 2.000 concertos públicos. E não só através do rádio, mas também com apresentações semanais, aos domingos, registradas e transmitidas pela rede de televisão TVE Brasil (Cultura), continuavam ano após ano, atendendo à missão institucional original da orquestra, prestigiando seus artistas e compositores.

Em 1982, com a extinção do Serviço de Radiodifusão Educativa, a OSN foi transferida para a Fundação Centro Brasileiro de TV Educativa (Funtevê), época em que passou por momentos difíceis e um período de inatividade, porém seus componentes permaneceram lutando pelo retorno. Os esforços empreendidos entre integrantes da Orquestra Sinfônica Nacional, representantes da Funtevê e do Ministério da Educação resultaram, em dezembro de 1984, na integração da OSN à imensa estrutura da Universidade Federal Fluminense, neste encontro entre arte e conhecimento. Com dificuldades, o material (instrumentos, acessórios e diversos outros) foi transferido da Funtevê para a UFF em Niterói, tratava-se de um valioso material herdado da Rádio MEC. A primeira sede nessa nova fase foi o Teatro Municipal de Niterói em 1986, nos anos que se seguiram, a orquestra, através de concursos entre 1989 e 1993, recompôs seus quadros. O grupo passou a ensaiar no Cine-Arte UFF em Icaraí e em 1996 a maestrina Ligia Amadioassume a direção da orquestra, onde ficaria por 11 anos.10

O ano de 2009 marca o início de uma nova fase para a orquestra, a OSN passou por uma reestruturação. Investindo na qualidade e na maior participação de seus músicos, a orquestra inovou ao optar por trabalhar com regentes convidados ao longo de toda a temporada, resgatando sua missão original de difundir a música brasileira de concerto. Com o apoio político dos sindicatos dos músicos e dos servidores da UFF, a orquestra criou um plano de carreira para seus integrantes, e o corpo orquestral originalmente pensado para contar com noventa profissionais, foi revigorado.

Em 2012, a OSN realizou duas séries de concertos: 'Araribóia' e 'Sons da Orquestra'. A primeira divulga principalmente a música brasileira, enquanto a outra iniciativa realiza concertos em escolas e centros culturais, disseminando a música sinfônica, formando novas platéias, além de propiciar a toda população este trabalho artístico. Ainda em 2012 a orquestra teve aprovado pelo conselho universitário, seu novo regimento interno, o que deverá ampliar seu quadro de vagas e com isso seu repertório poderá ganhar novos conceitos musicais. Além disso o regente-residente e não mais titular será escolhido pelos próprios músicos para ocupar o cargo durante dois anos

Com a reforma no Cine-Arte UFF a orquestra desde 2010 ficou sem seu antigo local de ensaios e apresentações, ensaiando atualmente em espaço provisório e se apresentando principalmente no Teatro Municipal de Niterói, porém com o tombamento e a compra do antigo Cinema Icaraí pela UFF em 2011, a idéia, já lançada em edital, é que este seja transformado em sala de concertos e centro cultural, passando a ser a nova sede da orquestra.

A maior parte da discografia da Orquestra Sinfônica Nacional é do período em que esteve ligada à Rádio MEC, gravações que dão acesso ao trabalho de composição e orquestração dos mais importantes compositores brasileiros. São milhares de fitas com registros de obras dos nossos mais antigos autores, como o padre José Maurício, até os na época, contemporâneos, como o aclamado Guerra-Peixe, e quase desconhecidos como Breno Blauth. Tais gravações, exclusivas da Emissora, constituem uma amostragem ímpar da nossa música de concerto, pois, além de envolver a nata dos músicos da época, eram dirigidas por maestros do porte de Francisco Mignone, Eleazar de Carvalho e Alceu Bocchino. Após a incorporação à UFF, o trabalho de preservação da música brasileira, embora em menor quantidade, permaneceu.